| Humorista diz que a realidade está acabando
com humor do brasileiro
Por Mira Bolante
Por que canibais não comem palhaço? Porque tem gosto engraçado. Cara no médico, com maçã numa orelha, pepino na outra e cenoura enfiada no nariz, pergunta: o que há de errado comigo, doutor? Resposta: o senhor não está se alimentando adequadamente. O que computador come como lanche? Microchips.
“Essas piadinhas, que eu vivo contando nos meus shows, sempre fizeram todo mundo rir. Agora, preciso delas e muitas outras pra tirar uma risada do público. Tem algo errado com o bom humor do brasileiro”.
O problema
A queixa é de Lalo Bright, 41 anos, da nova geração de cômicos, daqueles que adotaram o estilo americano “standup comedian”, que em pé, no palco, conta piadas em bares e pequenos teatros. Ele afirma que a classe média, seu público cativo e fiel, principalmente estudantes e profissionais liberais, parece estar desaparecendo dos seus shows, que antes eram disputados e agora têm pelo menos metade da frequência.
“Desde o ano passado percebi uma queda acentuada de público nos meus shows”, ele lamenta. ”Diminuí o preço da entrada e renovei o estoque de piadas, pois quem é do ramo sempre teme que seu material fique velho e espante os clientes. E fiz mais, uma prática usada pela nova geração, a de convidar outros cômicos para aparecer na platéia anonimamente e depois dizer o que tem graça, o que não tem e o que está errado. Pois olha, cinco amigos fizeram isso nos meus espetáculos e todos foram unânimes nos elogios. Então, posso afirmar que o problema é com o público”.
No Congresso
Bright diz que tem experiência bastante para afirmar que o brasileiro está perdendo o humor porque há anos se apresenta com sucesso, não só em São Paulo e no Rio, como em todo o Brasil. Nos últimos meses, os convites para shows estão cada vez mais raros, mesmo depois que diminuiu bastante seu cachê.
“Mas o pior é que o público que ainda aparece não só não acha graça como ainda me desafia em pleno espetáculo”, ele lamenta. “É só eu contar piadas sobre políticos e o custo de vida, que alguém na platéia grita e pergunta: ‘Qual é a graça, seu bobo? Vai lá no Congresso contar para essa gentinha que vive explorando os brasileiros”. |