| Roberval
Grandis, o jovem palhaço Galhofinha, que vem a
ser meu afilhado e que considero uma das grandes promessas na
profissão, tem um número de grande sucesso no circo.
Ele entra em cena montado num pônei, mas ao contrário,
isto é, de costas para a cabeça do cavalo. Só
isso já faz o público rir. Mais adiante, o pônei
entra num corredor de árvores e bem à frente há
um galho que com certeza vai derrubá-lo.
Nas matinês, a gritaria da criançada é ensurdecedora,
avisando do perigo que se aproxima. Galhofinha finge
que não entende e pergunta o que está havendo, e
a garotada grita mais e mais. Até que chega o galho da
árvore, e nada acontece, pois era tudo de papelão.
Alívio
geral, aplausos e também vaias, pois muitos esperavam que
ele batesse no galho e caísse. Criança é
assim mesmo, gosta de quedas, trombadas e escorregões,
que sempre provocam risadas.
Mas
o melhor do Galhofinha aconteceu outro dia, quando aceitou
o convite e um bom cachê de um figurão da política
de Brasília para animar a festa do filho dele. Lá
pelas tantas, chegou o que devia ser o chefe do figurão,
que já está em campanha para reeleição,
os fotógrafos vieram correndo e o chefão abraçou
Galhofinha para aparecer na foto, mas meu afilhado, pego
de surpresa, tratou de se desvencilhar dele e foi embora, pois
conhece bem a fama do político.
O
homem não gostou nada, segundo contou um amigo meu que
estava também na festa. O figurão perguntou para
o dono da casa quem era o tal palhaço, anotou o nome num
papel e disse alguma coisa de cara feia.
Mas
eu fiquei de cara feliz quando me contaram. Além de um
jovem e promissor palhaço, meu afilhado é garoto
sério, sabe das coisas e como botar no seu devido lugar
um esses políticos que andam por aí livres, quando
deviam estar nas grades. Grande Galhofinha! |