| Depois
de quatro meses percorrendo a Europa, num período sabático
de pesquisa para o ministério onde sou chefe de gabinete,
volto e encontro Brasília e o resto do país em polvorosa.
O motivo, corrupção, cassações, prisão,
o diabo, como há muito eu não via.
Fiquei
chocado com as acusações, mais ainda porque entre
os acusados está um velho amigo meu, amigo do peito mesmo,
pois foi ele que, num dos meus vários momentos de dificuldade,
arranjou meu atual emprego.
Não vou declinar seu nome, por questão de hombridade
e fidelidade, mas acho que devo um testemunho sobre seu caráter.
Está
bem, pra ser honesto, ele andou aprontando algumas com o dinheiro
do contribuinte. Mas quem não apronta hoje em dia no Brasil,
é ou não é? Mas comigo e com muitos outros
amigos fiéis, foi sempre correto, solidário e capaz
de tudo, mas tudo mesmo, para ajudar os necessitados.
Nunca
me esqueci quando organizou uma festa surpresa para comemorar
o aniversário de minha esposa. Foi uma recepção
espetacular, num dos maiores e mais luxuosos hotéis de
Brasília. Para meus amados leitores se espantarem, houve
lagostas do Canadá, caviar do Irã, champanhe de
cinco países, uísques de 35 anos, chocolates da
Bélgica e mil outras guloseimas internacionais. Sem falar
nas mais quentes “gatas” da capital!
Os
400 convidados, a maioria queridos amigos do meu amigo, ficaram
maravilhados com a festa que, cá entre nós, foi
paga inteiramente por ele.
Então eu pergunto: alguém tão generoso assim,
desprendido e fazendo o bem com tanto desinteresse pode ser um
corrupto perigoso como o acusam? |