| Claro
que os grandes acontecimentos do ano foram as duas semanas da
moda em São Paulo e no Rio. Não vou abordar aqui
o óbvio, os desfiles, as modelos, os figurinistas, o beautiful
people (e o não tão beautiful), que
fazem de tudo para aparecer, e os “caronas e bicões”,
praga danada e eterna.
Mas aqui hoje meu assunto é mais sério: a magreza
e a desnutrição das modelos, que descobri por acaso,
com ajuda do meu lindo boy friend, que é médico,
e decidiu me acompanhar em alguns dos desfiles.
Eu
andava nos bastidores com a minha querida Rosemary Kissime, cuja
coleção, top of the world, foi a maior
atração de semana da moda. Estava havia mais de
três horas cobrindo o assunto, me deu uma fome danada e
peguei uma barra de chocolate na bolsa, e aí passou uma
modelo, que devia ter uns 17 anos, parou de repente na minha frente
e ficou olhando para o chocolate como se fosse um tesouro.
Meu
namorado não tirou os olhos dela, impressionado com a figura
da moça, que eu calculei tinha 1,83m de altura e pesava
uns 40 quilos. Parecia uma sobrevivente de campo de concentração,
de tão esquelética.
Eu
ofereci o chocolate e o rosto dela ficou pálido de repente,
como se tivesse visto um horrendo fantasma. Perguntei o que estava
acontecendo. Ela me disse o seguinte:
“Pelo
amor de Deus, não me ofereça essas coisas. Se eu
aceitar e meu chefe descobrir, sou mandada embora na hora”,
ela disse. ”Principalmente durante os desfiles, se uma das
meninas ganhar 200 gramas de peso, é rua na certa”.
“Por
causa de um chocolate?”, perguntei espantada.
Ela
explicou: “Por isso mesmo. Minha agência exige que
as modelos, acima de 1,80 metro, tenham no máximo 46 quilos.
Se alguém passar disso, é logo mandada embora .
A gente vive sempre com medo, sempre com fome”.
Resolvi
não insistir com a pobre mocinha, mas meu namorado médico
explicou que pela aparência, branca, sem cor, ela já
estava anoréxica e, com certeza, à beira da bulimia.
Que horror, não?
Fiquei
pensando: que diabo de profissão é essa que manda
essas mocinhas para o túmulo por causa de uns fricotes
pra lá e pra cá na passarela? |