No Carnaval, abram
só o olho, nada mais

Minhas preocupações e meu trabalho aumentam três vezes mais no mês de fevereiro, quando recebo volumosa e preocupante correspondência de leitoras e leitores em busca de conselhos. O motivo? O Carnaval, claro.
Com o Brasil de ponta a ponta pulando, se divertindo, baixando as defesas, para usar um eufemismo, e quase tudo liberou geral, o resultado é um só: sexo e problemas. Claro, há outras coisas mais amenas, mas essas não preocupam minhas leitoras, que no auge da alegria, da adrenalina e da apoteose sexual, acabam se metendo em encrencas.

E aí vêm correndo apelar para a Madame Clean, a paciente Madame Clean, já calejada de tantas súplicas, pedidos de ajuda e desabafos.
Escrevo esta coluna no princípio de fevereiro, com o Carnaval ainda por chegar, mas já fico antecipando o que me espera, não por masoquismo, mas pura experiência.

No ano passado, só neste mês, me vi às voltas com nada menos que 185 pedidos de conselhos e ajuda psicológica e sexual, alguns deles de deixar em pé meus já quase todos brancos cabelos.

Para terem uma idéia, mostro algumas estatísticas baseadas nas consultas enviadas no ano passado.

Casos de gravidez entre solteiras: 145.

Perda de virgindade: 631

Moças seduzidas: 159

Casamentos de consentimento mútuo: 11

Casamentos sem consentimento mútuo: 449

Fuga de casais: 98

Casos de ciúme que resultaram em brigas,
com ou sem feridos: 94

Moças abandonadas em motéis: 87

Brigas entre casais com ferimentos: 98

Separação de casais na Quarta-Feira de Cinzas: 1. 453

Por tudo isso, volto a enfatizar: Abram o olho no Carnaval, mas só o olho.