As mentes inferiores

Ao voltar ao Brasil, após seis meses na Alemanha, onde finalmente fiz o mestrado em psicanálise sensorial, caí no meio de um furacão simbólico, criado por mentes inferiores, que existem aos montes no país.

Para ser honesto, jamais me interessaria por assunto tão medíocre e insípido, não fora um encontro casual com um velho amigo que perguntou: “O que você achou da história da moça que quase foi estuprada na universidade por usar roupas sensuais demais?”

Que moça? Que estupro? Que universidade?, perguntei, pensando que fosse alguma brincadeira. Diante do espanto dele, que me disse que não se falava em outra coisa no Brasil e não podia imaginar que eu não soubesse do que se tratava, resolvi tomar conhecimento da história.

Holy cow! By the love of Shakespeare!, foi a minha reação após ler tudo sobre o caso na pilha de jornais e revistas que se amontoaram em meu estúdio durante os meses que passei no paraíso alemão.

Somente graças à cabeça de bestas subdesenvolvidas como a dos alunos que assediaram e agrediram a tal aluna, que também me pareceu igualmente idiota, um episódio como esse seria possível acontecer. E numa universidade! Está certo que, pelo que soube, não é exatamente uma universidade, mas deixa para lá.

O resultado, pelo menos para mim, que é o que importa, a lição que ficou é desoladora. Oh my God! Passei meses e meses estudando e escrevendo, gastei tempo, neurônios e preciosos dólares, fiz o mestrado e volto para o Brasil para perguntar: pois é, para quê?