Loja oferece emprego
de Papai Noel, dois
mil aparecem e tumulto
deixa 30 feridos

Por Nicolau Klinger
do caderno Jingle Bells

Um tumulto que por pouco não se transformou numa tragédia de grandes proporções foi o resultado de uma oferta de 17 vagas de Papai Noel da Superloja do Baratão, na zona norte do Rio de Janeiro. Os donos esperavam 100 candidatos, mas cerca de dois mil apareceram para disputar as vagas, que pagavam cada uma R$700 por 28 dias de trabalho.

De acordo com um dos candidatos, o tumulto começou quando um homem que se intitulava Bom Velhinho, acusou outro, apelidado de Santa Claus, de ter furado a fila, que dava três voltas ao redor da loja, que tem 22 mil metros quadrados.

Santa Claus negou a acusação, garantindo que estava na fila havia mais de três horas, mas Bom Velhinho disse que era mentira. A situação se complicou ainda mais porque, por exigência da loja, os 100 finalistas pareciam todos iguais, pois tiveram que se vestir de Papai Noel, com roupas pagas pelos candidatos.

Um grupo disse que Santa estava lá desde cedo, e outro grupo afirmou que ele furou mesmo a fila. O bate-boca logo se transformou em agressão e estourou o tumulto.

“Foi coisa de dar medo”, disse depois o torneiro mecânico Mariano Gomes, com as roupas de Papai Noel todas rasgadas. “Devia ter uns 300 caras se atracando, chutando, socando e batendo com violência. E eu, que entrei no bolo só para apartar os brigões, acabei levando umas e perdi a minha roupa de Papai Noel, que custou 32 paus. Tudo isso pra que, por uma droga de 700 paus”.

Segundo o tenente da PM Enivaldo Longo, que cuidou do caso, trinta pessoas foram medicadas no próprio local e oito pelo menos tiveram ferimentos mais graves e foram levadas para um hospital próximo.

“Coisa estranha, ver tanto Papai Noel junto e muitos feridos”, disse o tenente. “Pela violência do tumulto, foi um milagre não ter acontecido coisa pior. Agora, Bom Velhinho mesmo não tinha nenhum nessa multidão”.