Bumba-meu-boi corrupto

Billy Lima, criador e coordenador desta coluna, é cantor, compositor, escritor, cineasta, poeta repentista e conhece como poucos os bastidores do show business nacional e internacional. Ele apresenta hoje o depoimento do auxiliar de escritório Lindomar Gonçalves, de São Luís, MA.

No mês passado participei do concurso de bumba-meu-boi patrocinado pela prefeitura de São Luís e por um político muito conhecido aqui na minha terra. Não posso deixar de confessar que, dois dias antes, o resultado já era mais do que conhecido, pois outro político, rival do tal muito conhecido, tinha muita influência na prefeitura e como era meu padrinho de casamento me contou que eu seria o vencedor.

Eu precisava muito do dinheiro do prêmio, que era quase dois mil reais, e então fiquei calado, “na moita”, como dizem aí no Sul, e já com a certeza que o vencedor seria eu. Só que eu não contava com uma coisa: o tal político muito conhecido também já tinha mexido os pauzinhos, como sempre fez a vida toda aqui no Maranhão, pois um dos concorrentes era neto dele.

Na hora da votação, não deu outra: eu tirei o primeiro lugar, minha família e a minha turma, que me ajudou a fazer os bois, começaram a comemorar, pulando, gritando e dançando. A televisão cobriu a festa e eu aparecia lá nos televisores. Então, o chefe dos juízes veio correndo na nossa direção e disse que a coisa toda tinha sido anulada, pois teria havido um erro na contagem dos votos.

Vi logo que a coisa não cheirava bem, mas fiquei na minha. Quando o microfone anunciou uma nova votação, foi uma vaia só, parecia que toda a multidão estava do meu lado. Daí que a vaia passou para os gritos, protestos e começou uma briga feia. Um grupo mais furioso avançou na direção do palanque onde eu estava, os caras perceberam a trapaça e queriam agredir os juízes.

A polícia entrou na dança baixando o cassetete, sobrou pra todo mundo, e eu levei uma boa paulada na cabeça, mas mesmo assim deu pra ver que eu estava aparecendo na televisão.

O concurso foi cancelado por causa do tumulto e não se sabe quando vai ser o próximo. Eu levei a pior: não ganhei o dinheiro e fiquei com um galo grande na cabeça, que está doendo até agora. O consolo é que apareci bem na televisão e por uns minutos fiquei famoso.