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Por amor, roqueiro
afirma que só vai tocar
música “civilizada”
Por Abílio Newsound
do caderno Let’s Rock
O baixista Tony John Silver, do popular grupo de rock Unbearables,
foi expulso do conjunto depois que os colegas músicos tomaram
conhecimento de sua declaração, no blog “Rock
a dar com pau”, de que, “a partir de agora, só
vou tocar música com melodia, música civilizada,
e não essa dor de cabeça, esse tormento que só
interessa a jovens de ouvido ruim e gosto pior ainda, e a quarentões
que se recusam a aceitar a idade”.
Silver,
cujo verdadeiro nome é Antônio João Silvério,
de 32 anos, causou com sua entrevista um tsunami de protestos
nos meios roqueiros de São Paulo e Rio, onde seu grupo
está entre os mais populares, tendo inclusive ganhado este
ano o troféu “Anvil Sounds”, da revista especializada
Deafening Rock.
“Achei
baixaria, uma traição mesmo do Tony”, afirma
seu ex-colega de conjunto, Dylan Gomes, que considerava o amigo
uma das grandes promessas do rock brasileiro, capaz de se destacar
em qualquer gênero.
Dylan
diz: “Num ensaio que fizemos a semana passada, Tony se superou,
tocou tudo, punk funk, angst rock, death disco, proto-goth, electropop,
synthpop, o diabo, com aquela categoria. Agora, virou a casaca,
coitado, está morto, tocando melodias”.
O
amor
Segundo
outro membro do Unbearables, o baterista Sunrise “Pounder”
Hendrix (Renato Batochini, nome verdadeiro), a inesperada mudança
na vida musical de Silver é resultado de uma paixão
arrasadora pela pianista clássica Giselle Aumont, 27 anos,
que ele conheceu dois meses atrás no Teatro Municipal de
São Paulo, durante um show beneficente.
“Tocando aquelas coisas jurássicas, sem pé
nem cabeça, e pior ainda, sem beat, nem “guts”,
com ritmo de funeral, a Giselle fez a cabeça dele para
pior”, lamenta Dylan. “Ele passou a faltar aos nossos
ensaios e quando aparecia, o som dele era monótono, cheio
de fricotes, parecendo música de jazz, não tinha
nada do grande rock dos nossos gurus Phil Raspberry, Golander
Highheel, Spitz Nauseating. Se o amor muda tanto você, quero
que fique bem longe de mim”.
Silver
contesta o ex-amigo Dylan e diz que desde o ano passado já
sentia vontade de dar novo rumo a sua carreira e a namorada apenas
precipitou a decisão.
“Giselle me disse que sou um talento natural e se me dedicasse
mais à teoria, a estudos profundos, eu poderia me tornar
um dos grandes guitarristas brasileiros. Acreditei, claro, porque
ela sabe das coisas, é uma pianista de nível internacional,
estou apaixonado e decidi mudar o rumo e abandonar o rock pela
música civilizada”, afirma Silver.
Alheia
a críticas e protestos dos fãs e amigos do namorado,
Giselle explica: “O importante é que consegui salvar
um músico de grande talento dos horrores e da mediocridade
do rock”. |