| Já
contei aqui na coluna (edição 78) como o público
gosta de rir da sátira que fazemos contra deputados e senadores
no show do nosso Gran Circo Popular, ora em turnê pelo sul
do Brasil.
Meu velho amigo Jonas Curtz, o palhaço Goiabinha,
que escreve comigo as comédias curtas que fazemos, chegou
pra mim outro dia e confessou meio sem jeito que não ia
mais fazer sátiras políticas.
Pensei
que estivesse brincando, mas depois percebi que falava sério,
e perguntei surpreso o que estava acontecendo.
“Não
é falta de inspiração não, meu amigo”,
ele explicou. ”Acontece que, como as pessoas sérias
do nosso país, eu também estou chocado e assustado
com a falta de vergonha desses políticos de Brasília,
que cada vez mais se metem em patifarias e grossa corrupção
e nada acontece com eles. Não vejo como fazer graça
e piadas com essa gente”.
Como
há muito tempo não via o Goiabinha tão sério
e preocupado, achei melhor não tentar convencê-lo
a continuar escrevendo as histórias. Ele continuou:
“A
situação é séria demais, e a coisa
piora a cada dia, Patuléia. E a minha indignação
com esses corruptos já é agora mais grave, já
virou raiva e desilusão. Quem consegue inspiração
numa situação assim?”
Resolvi
não insistir e pedi ao velho amigo para escrever outras
comédias pro nosso circo, sem política e políticos
como assunto. Ele aceitou, e fez uma promessa que, tenho certeza,
e graças a Deus, não vai cumprir, pessoa séria
e honesta que sempre foi:
“Olha,
Patuléia, se um dia eu entrar para a política e
logo ficar tão mentiroso e corrupto como eles, prometo
que volto a escrever, e muito melhor, pois vai ser com conhecimento
de causa”. |