Desempregado vira DJ e faz
sucesso tocando só clássicos

Por João Marcos Leitão
caderno Clássicos Eternos

Quando perdeu o emprego de consultor de empresas, durante a crise econômica, Leonardo José Fredowsky decidiu arriscar o futuro numa profissão das mais inesperadas, que pouco tinha a ver com sua personalidade e experiência: DJ.

“Eu não tinha ideia do que fazer sem emprego e li numa revista que os DJs profissionais ganham bom dinheiro, arranhando LPs nos toca-discos a noite inteira”, ele lembra. “Para sobreviver, valia qualquer coisa. O problema era enfrentar aquele barulho infernal, fumaça de cigarro e gritos histéricos do público jovem. Mas fui em frente assim mesmo”.

Sir Leofredo

Filho de um famoso maestro clássico, Leonardo Fredowsky, já falecido, ele acabou tendo um estalo, já que tinha que ganhar a vida.

“E se em vez dessas músicas horríveis de bate-estaca e estoura-tímpano, eu apresentasse somente música clássica?”

Embora a ideia lhe parecesse absurda, decidiu ir em frente e pediu a opinião de um amigo, o crítico musical Marcos João Coelho, que não só adorou a novidade como decidiu ajudá-lo, escolhendo o repertório e indicando compositores e suas obras mais acessíveis ao público.

A estreia como DJ, com o nome artístico de Sir Leofredo (as primeiras sílabas do nome e sobrenome do pai), aconteceu no casamento de um primo, que exigiu música clássica não só na igreja como também na recepção.

“Eu estava temeroso da coisa não dar certo, então escolhi clássicos light, de Chopin, Strauss, Tchaikovsky, entre outros”, ele conta. ”Pra minha surpresa e do meu primo, foi um sucesso, os convidados pediram mais e fui obrigado a esticar a sessão por uma hora e meia”.

Maior desafio

Com o tempo e o apoio do primo, advogado bem relacionado, que espalhou a novidade para clientes e amigos, os convites foram surgindo. Foi então que descobriu que a novidade de um DJ tocando música clássica tinha futuro e, surpresa, até lucro.

Para a posse de um coronel numa academia de letras do interior do Maranhão, escolheu uma seleção de Tchaikovsky e Grieg; para as cerimônias fúnebres de um ex-ministro em Minas Gerais, fez sucesso com Bach, e para as bodas de ouro de um juiz federal, foi muito elogiado com sua seleção de Mozart, Strauss e Beethoven, cuja “Sonata ao Luar”, no gran finale da cerimônia na igreja, ganhou aplausos até do padre.

Entusiasmado com o sucesso inesperado, que surpreendeu até mesmo um sazonado especialista como Marcos João Coelho, Sir Leofredo quer ousar e está disposto a ir em frente com um novo e perigoso desafio: tocar música clássica em balada funk num subúrbio carioca.