Escritora premiada diz que cansou de livro-cabeça

Por Jane Eyre
do Cultura Para Milhões


Autora de livros clássicos de ficção e ensaios, como “Sombras na Alma”, “Psicologia Humana Diante do Animal: Um Novo Approach”, “O Menor Amor do Mundo” e “O Lado Corrupto da Cirurgia Plástica”, a petropolitana Ema Bovary Lins afirma que se cansou de escrever obras eruditas e complicadas, de longa e difícil execução e raros leitores.

“Chega de livro-cabeça” é o seu grito de guerra. “Agora vou me dedicar a coisas simples, acessíveis a todos e, o mais importante, que vão vender e render bom dinheiro”, ela garante.

Aos 38 anos, autora de 26 livros que, juntos, venderam modestos 16 mil exemplares, incluindo as edições em oito idiomas, ela já ganhou nada menos que dez prêmios literários, nacionais e internacionais, entre eles, os prestigiosos “Caminetto D’Oro”, na Itália, “Global Smalltalk”, nos EUA, e o francês “Histoires d’Amour”.

“Pois é, pra quê?”, ela pergunta, botando os indicadores na fronte, com uma careta de ironia e indignação. “Para impressionar intelectuais, sair nesses chatíssimos suplementos literários e ser assunto de indecifráveis resenhas dos críticos? Ora, vamos! Passei anos e anos da minha vida escrevendo dez horas por dia, e o que é que os intelectuais, os suplementos e meus livros me deram? Até o apartamento onde moro ainda é alugado”.

Nova confraria

Ema Bovary afirma já ter a fórmula para entrar na nova carreira, que ela anuncia como “Alô, best-sellers, aqui vou eu!”, indicando que só vai escrever livros de apelo popular, capazes de vender milhares de exemplares no Brasil e exterior.

“Minha nova fase será uma mistura de Paulo Coelho, Myrtes Valentine e John Grisham, de apelo romântico para moças e mulheres, com temperos fortes de sexo, violência e um pouco de sangue aqui e ali, para os homens. Tudo isso em linguagem simples, sem encucação e nada de papo-cabeça”, ela define.

E faz uma reflexão: “Está certo, vou baixar meus padrões ao mínimo, serei criticada, apedrejada como uma moderna Maria Madalena das letras e alvo de insultos por parte dos intelectuais brasileiros, que estão entre os mais pretensiosos e chatos de todo o mundo. Mas o que é que eles e os leitores me deram até hoje? O importante é que vou entrar para uma nova confraria imensa de autores, que escrevem tolices sem fim, vendem milhares de exemplares, vivem correndo o mundo e moram em mansões milionárias na Suíça e no Caribe”.