| Por
uma ditosa coincidência, minha coluna sai bem no mês
de agosto, de saudosas lembranças nos longínquos
tempos em que eu era jovem e sonhadora. E estava muito apaixonada.
Pensando bem, acho que já aborreci minhas leitoras com
esses amores do passado, e assim, queria falar um pouco sobre
os anos da minha juventude.
Naquele
tempo não tínhamos muito para escolher como diversão,
pois o que dominava mesmo era o cinema de Hollywood, que além
de oferecer belos espetáculos, estávamos em guerra,
e só os americanos tinham dinheiro para fazer um filme
atrás do outro. Nos cinemas a gente fugia dos problemas
e principalmente dos horrores da guerra, que estava devastando
a Europa.
Aqui
no Brasil, quase nada acontecia e as mocinhas como eu ou iam ao
cinema ou ouviam rádio, a televisão daquele tempo.
As novelas eram o xodó de todo mundo e botavam milhões
de brasileiros reunidos na sala, com o ouvido ligado no rádio.
De
vez em quando as emissoras interrompiam tudo para apresentar propagandas,
algumas perigosas, dos donos do governo, ou seja, a turma da ditadura
do Getúlio Vargas. Mas o triste de tudo é que, tirando
a ditadura, a coisa não mudou muito em todos esses anos,
é a mesma hoje em dia, no rádio e na televisão,
com os políticos e as mentiras de sempre.
Nesta
altura, comparei aquele tempo com o atual e acabei me lembrando
de um ditado famoso, que minha querida professora de francês
no ginásio, Marie-Severine Biberon, gostava de citar, “Quanto
mais muda, mais é a mesma coisa”.
Pobre
Brasil. |