Meu adeus ao Francinha

A imagem que a maioria das pessoas tem do aposentado é que ele não passa de um velho inútil, que nada produz e só recebe o benefício do governo. É mais um preconceito que o brasileiro tem com o cidadão acima de 60 anos. O pior deles, que não é preconceito, mas pura ignorância, é que a gente não serve mais para emprego de responsabilidade, nem mesmo aquele no qual passamos a maior parte da nossa vida.

Essas bobagens infelizmente estão arraigadas na cabeça de milhões de pessoas em nosso país. Como mudar esses preconceitos?, sempre me pergunto. Minha resposta: não há como mudar.

Nos Estados Unidos, onde tenho um irmão jornalista de 66 anos, as coisas são mais civilizadas. Há 42 anos ele continua no batente, cada vez mais ativo, mais útil ao seu jornal, que nem pensa em dispensá-lo, com crise econômica e tudo.

Mas não vamos chorar as mágoas, é ou não é, minha gente? Eu me aposentei como contador aos 58 anos, mesmo tendo a certeza de que poderia ser útil por mais 15 anos, pelo menos. Mas na empresa onde eu trabalhava, aos 48 anos já começaram a me olhar meio de banda, do patrão ao jovem que tinha uma mesa ao lado da minha. O patrão, sem ressentimento, era um panaca e o jovem começava a carreira, era mais verde que um jiló.

Toda essa explicação, que parece lamúria, mas está longe disso, é uma homenagem ao meu querido amigo Maurílio França, o Francinha, que morreu o mês passado, aos 62 anos. O médico disse que a causa foi pneumonia, mas eu digo, e garanto, que ele morreu mesmo foi de solidão e de não ter um emprego, qualquer um.