Deputado acusado de
íntegro é vaiado em
sessão no Congresso

Ribaldo Correia
de Brasília

“Não sou e nem quero ser melhor que ninguém. Tenho minhas falhas, como todos aqui no Congresso. Por isso, acho a acusação indevida, sem falar na vaia, que considero uma injustiça”.

O desabafo é do deputado Tadeu Garrido Lima (PNDB-AL), repudiando a acusação de seu colega de partido, Miro Silva Asopar (BA), que anteontem, em entrevista a um jornal carioca, chamou Tadeu de “santo do pau oco”.

“Aqui, ninguém pode afirmar que é inocente e desconhece tudo o que está acontecendo no Congresso”, afirmou Asopar na entrevista. ”Menos ainda Garrido Lima, que entre outras coisas está sendo investigado pela Polícia Federal, acusado de desviar recursos do PAC e da merenda escolar de seu estado”.

Segundo Asopar, seu colega foi definido como “um dos raros parlamentares íntegros da Casa” pelo jornalista que o entrevistou. Para complicar ainda mais sua posição diante dos demais deputados, Garrido Lima, durante votação de um projeto para reforma dos jardins ao redor da Câmara, no valor de R$ 3.459.000, recusou-se a votar, afirmando “Nessa maracutaia não entro!”

Foi o bastante para que a maioria dos deputados presentes (um terço do mínimo necessário para votação) o vaiasse durante dois minutos.

Cassação

O histórico de baixa popularidade de Garrido Lima entre os colegas vem de anos atrás. Reeleito três vezes, o que provocou comentário ofensivo do seu desafeto Coriolano Otar (“o eleitor é mesmo trouxa...”), o deputado alagoano já enfrentou repúdio e vaias em 1999. Ele era relator do projeto sobre a construção de uma hidrelétrica em pleno Pantanal, que segundo denúncia da ONG Pantanal Eterno, entre várias outras, destruiria cerca de 70 quilômetros quadrados da flora e fauna local. Houve também denúncia de que pelo menos oito deputados foram acusados de receber propina da construtora Verdoben S.A., responsável pela hidrelétrica.

Diante das denúncias, Garrido Lima votou contra o projeto, o que desencadeou furiosas reações dos deputados, não só da oposição como também do próprio partido. Um deles, Salim Rachid Odafas, chegou até mesmo a propor a cassação do mandato de Garrido. No fim, tudo terminou, não em pizza, mas num lauto jantar no Pollaio, luxuoso restaurante de Brasília.