|
Velha fumante
chega aos 100 anos
e acende cigarro no
bolo de aniversário
Por Chico Tar
Caderno Hábitos
Inocência
Dias da Silva comemorou anteontem seu 100º aniversário,
cercada de oito filhos, 18 netos e 11 bisnetos, além de
grande número de amigos. Entre eles, seu médico
de muitos anos, Eduardo Kringle, que não se cansa de se
espantar com a longevidade de Inocência, que fuma desde
que tinha 13 anos. E fuma tudo: cigarro, cigarro de palha, charuto,
cigarrilha e até cachimbo.
“É um milagre e um desafio para a ciência”,
afirma Klinger. “Quando ela teve um violento enfisema, 60
anos atrás, os médicos disseram que não sobreviveria,
pois seu pulmão estava negro de nicotina e outros venenos.
Ela acabou enganando todo mundo, e chegando aos 100, não
em boa saúde, mas viva”.
Médico
e amigo da família há 13 anos, Klinger explica que
a longevidade da paciente é um mistério que não
se pode explicar a contento, levando-se em conta a assustadora
quantidade de nicotina, alcatrão e outros venenos que ela
vem ingerindo há 87 anos.
Mau
gosto
Implacável
inimigo do tabagismo, Klinger diz que a sobrevivência de
Inocência é pura sorte, já que venceu 23 crises
respiratórias agudas, cinco enfartes, sofre de bronquite
crônica, enfisema e hipertensão.
“E
o mais grave é que quatro dos seus oito filhos também
são viciados em cigarro e os demais, além dos quatro
netos, já mostram sinais de sérios problemas pulmonares,
como fumantes passivos”, afirma Klinger.
Olhando
a foto tirada no dia da comemoração dos 100 anos,
com Inocência acendendo um cigarro no bolo de aniversário,
o médico fica sério, não acha graça
e diz: “É uma brincadeira de mau gosto, que mostra
o desprezo que ela tem pela saúde e o péssimo exemplo
que dá para filhos e netos”.
Quanto
a Inocência, quando lhe dizem que fumar é perigoso,
responde com ironia: “Estou vendo. Fumo há tanto
tempo que o maior perigo é eu chegar aos 150 anos”. |