Salvamos o
sobrinho de ser político

Antes de se tornarem um picadeiro, montado por alguns senadores e deputados, o Congresso e a profissão de político não eram assim tão repelidos pela população como acontece hoje.

Tenho um bom exemplo disso na minha família. Meu sobrinho Ricardo, rapaz de origem humilde, mas com um raro senso de dignidade e consciência social, causou uma vez grande comoção quando disse ao pai dele, meu irmão, que queria entrar para a política.

Foi um deus nos acuda na casa dele. A família inteira foi contra a idéia e tentaram de tudo para convencê-lo a não entrar nessa. Eu, mais do que todo mundo. Mas Ricardo era rapaz determinado e disse que não ia desistir, e não desistiu mesmo.

Decidiu se candidatar a vereador na pequena cidade perto de Petrópolis, onde nasceu, fez campanha e tudo, saía pelos bairros pobres contando o que pretendia realizar se eleito e era sempre aplaudido nos comícios, pois sua família, de gente séria e responsável, era a melhor recomendação para se votar nele.

Já na apuração dos votos ele se desiludiu, pois choveu acusação de toda a parte contra o prefeito e sua gente, uma cambada que não tinha a honestidade e a vergonha na cara entre suas qualidades. Ficou provado depois que mexeram nos votos e no resultado das urnas. Todos escaparam impunes, como sempre acontece no Brasil.

Pois bem, meu sobrinho perdeu a eleição, por algumas dezenas de votos, para o candidato do prefeito. Ficou amargurado e decepcionado para sempre com a política e os políticos. Eu, ao contrário, fiquei feliz e cheguei até a comemorar o fracasso dele.

Já pensaram? Um rapaz decente, idealista se metendo nessa fria. E fiquei ainda mais feliz quando ele mostrou interesse em seguir a tradição da família e se tornar palhaço, como o avô, o tio e o pai. Ufa, foi por pouco que o Ricardo escapou de se tornar político!