| Um
irmão do meu pai, simpático e superlegal, apareceu
lá em casa no carnaval e bati com ele de frente, mas numa
boa, porque tem umas idéias antigas sobre música.
Meu pai nunca me disse bem quem o irmão era, nem o que
fazia na vida.
Quando me contou que foi crítico de música popular
numa revista do Rio, não acreditei, achei que fosse gozação
comigo. Mas era verdade no duro. Foi mais longe, disse que é
compositor, então a coisa esquentou. Rolou um belo uísque
do paizão e isso ajudou a inflamar o papo. Aí dei
o primeiro toque nele pra captar se estava por dentro do que toca
hoje no mundo jovem. Foi uma roubada, coitado. O tiozão
está no passado, e bem no fundão.
Imaginem
que nunca tinha ouvido falar na very hot banda The
Bedpans, nem no Sledgehammers, e muito menos nos
Unbearables. Resolvi dar um desconto, pois só quem é
mesmo do ramo, como eu e poucos outros, sabem que esses três
são o que há de mais highfly em rock avançado.
Então
veio o pior. O tiozão não sabia nem mesmo quem eram
Rick the Asshole, Dummy and the Blockheads, Pussybrothers, Swine
and the Useless Qualquer molecão começando no fabuloso
mundo do rock sabe que são dinossauros, mas pioneiros do
synthpop e chegaram a avançar até o avant-funk.
Fiquei com pena e deixei que o velhão falasse um pouco
das suas músicas favoritas.
Não
sei se foi vingança dele, mas aí foi a minha vez
de não ter a menor idéia sobre o que estava falando.
Duvido também que meus jovens e espertos leitores saibam.
O
tiozão disse que gosta de figuras de quem jamais eu ouvi
falar, e big bands (sic), como Harry James, Glenn Miller, Stan
Kenton, Henry Mancini (será que escrevi certo?), de compositores
como Ari Barroso, Donival Caími (quem será, God?),
Antônio Jobim e um monte de outros que nem sei como escrever
e que só cito aqui em homenagem ao irmão do meu
velho.
Cara legal o tiozão, mas, Jízus, será
que não podia se atualizar um pouco? |