Por que não fui à
posse de Barack Obama

Uma revelação de primeira mão para meus leitores: quase participei da posse do presidente Barack Obama e das cerimônias que se seguiram! Paciência que já conto.

Em dezembro passado fui visitar um velho amigo americano, que mora em Boston, e, como eu, formado em Harvard, na mesma turma minha. Homem brilhante, de extensa cultura e altamente relacionado no mundo político da Nova Inglaterra e, consequentemente, dos Estados Unidos.

Fui encontrá-lo em estado de exaltação, pois dois dias antes fora sondado por emissários de Obama para assumir um importante cargo no novo governo. Também eu me emocionei com o convite, já que ele, meu mais querido amigo nos tempos da universidade, finalmente teria seu talento reconhecido, além de extenso e brilhante currículo.

Meu entusiasmo, porém, durou pouco. Decepcionado, confessou que teria de recusar o honroso convite, uma vez que acabara de se comprometer com espinhoso e importante compromisso no exterior, contratado que fora pelo governo do estado de Massachusetts. Homem digno, de moral rígida, jamais seria capaz de romper um contrato, ainda que para aceitar missão maior na presidência americana.

Após aceitarmos a decepção, com a ajuda de um sublime e secular conhaque francês, surpreendeu-me ao convidar-me a acompanhá-lo às cerimônias da posse de Obama em Washington. Foi a minha vez de me espantar e alegrar-me e, ao mesmo tempo, mergulhar em frustração. A alegria, pela importância do convite, a decepção, porque também eu teria importante e inadiável compromisso no Brasil, e logo a 20 de janeiro, exato dia da posse de Obama.

Resumindo nossa história: amargurados e conformados, fizemos um brinde ao novo presidente e voltamos a afogar as mágoas no sublime e secular conhaque do meu querido e importante amigo.