| Não
sou daquelas pessoas que acham as festas de fim de ano um aborrecimento.
Acho que são um tormento, pra dizer o mínimo. Se
eu escrevesse aqui o que penso de verdade do Natal e do Ano Novo
estaria na cadeia, ou excomungada.
A
fim de evitar convites de parentes e amigos nas festas do mês
passado, tratei de me refugiar num pequeno sítio que tenho
perto de Petrópolis. Nem assim me livrei do pior. Para
meu desespero, uma vizinha suburbana e enxerida descobriu que
eu estava lá e meu sossego foi ameaçado.
Começou
com um convite pelo telefone para eu passar a noite do Ano Novo
na casa dela. Meu cabelo ficou em pé, de tão assustada.
Ela tem uma família que não é família,
mas uma horda de selvagens destruidores. A vizinha é daquelas
que conversa com as visitas vendo novela e confunde o papo, sem
saber que o que ouve é da televisão ou não.
O marido é um chato monumental, que só fala nesse
programa de índio que é corrida de automóvel.
De vez em quando ele passa suspeitamente os dedos entre os cabelos,
o que pra mim não deixa dúvida: é bicha enrustida.
O
casal de filhos deles até que dá pra gente suportar,
mas os netos, Santo Deus! São três pragas infernais,
que têm parte com o diabo, de tão depredadoras, barulhentas
e ameaçadoras. Soube uma vez que tacaram fogo no gato,
que felizmente sobreviveu, mas ficou cheio de queimaduras. De
outra feita botaram cândida no ponche de Natal e vários
convidados passaram mal e não saíam do banheiro.
Um horror!
Relembrei
tudo isso que aconteceu quando tive lá uma infernal festa
no ano passado. Desta vez, mal acabei de ouvir a vizinha no telefone
tentando fazer novo convite, fui logo gritando: Nem morta
piso na sua casa! |