| Nos
últimos 15 anos, não houve um só mês
de dezembro em que não recebi convites de amigos ou amigas
para passar o Natal ou o novo ano em suas mansões, aqui
ou no exterior. Até o mês passado, quando, pela primeira
vez, ninguém me convidou.
Foi
um choque, que esmagou o meu amor próprio. Não cheguei
a ficar prostrado na cama, mas faltou pouco. Nesses momentos,
a dúvida não deixa de nos atormentar: Por que não
me convidaram? Estariam me evitando? Não sirvo mais para
animar as conversas? Tornei-me um chato? Seria por causa da crise
econômica, uma drástica redução das
despesas?
Uma
após outra as dúvidas invadiram minha mente. Lembrei-me
das palavras de Albert Einstein: “O importante é
não parar de questionar”. Quer dizer, a dúvida
pode ser também positiva. No meu caso, contudo, nada adiantou.
Meu ego estava no chão, sob meu chinelo.
Então,
como faço sempre, em situações de extremos,
alegres ou trágicos, refugiei-me nos livros, amados e fiéis
livros. Em apenas 25 dias, li ou reli oito deles. Como já
lancei meu paciente leitor neste mergulho pessoal de frustração
e dúvida, logo no alvorecer de um novo ano, vou compensá-lo
com alguns pensamentos sublimes de sábios que souberam,
melhor do que eu, idolatrar os livros. Eis três deles:
“Quando
arranjo algum dinheiro, compro livros; se sobrar algum, compro
comida e roupa.” – Erasmo (1465-1536).
“Quando
lemos depressa ou devagar demais, não entendemos nada.”
– Pascal (1623-1662).
“Ler
é para a mente o que o exercício é para o
corpo.” Richard Steele (1672-1729). |