As almas solitárias de dezembro

Natal e Ano Novo são a época em que eu mais trabalho, mais recebo correspondência de almas aflitas, corações carentes, solitários ou esperançosos. Não sei explicar o motivo, mas o ano em que mais escreveram foi 2005, quando me enviaram nada menos que 250 mensagens de todos os tipos.

Foi grande também o volume no ano passado, e neste 2008, e por ora, tenho 102 e-mails, cartas e telegramas para responder. Até o fim do mês a coisa vai aumentar, ainda mais nestes tempos de crise de dinheiro. Mas o pior de tudo é a crise de amor, como sempre digo.
Abaixo, os três casos que mais me tocaram neste começo de dezembro. São todos reflexos de almas solitárias, carentes de carinho, de um ombro ou um colo amigo onde repousar. Muito triste, não? As respostas já enviei por cartas.

Miss Heart, meu marido saiu de casa para um papo com os amigos no bar e não mais voltou. Isso foi há 10 anos. Em todo esse tempo, suportei a ausência dele e até me casei outra vez. O problema é que meu novo companheiro foi ficando cada vez mais parecido com o primeiro. A semana passada, ele voltou de viagem com um daqueles chapelões de vaqueiro, igualzinho a do meu ex, e comecei a chorar sem parar. O que fazer?

Por favor, Miss Heart, preciso da sua ajuda! Desde menina, ela é a paixão da minha vida. Todas as outras, por mais belas, não eram nada perto dela. Quando fiz 18 anos, decidi pedir que me deixasse namorá-la, vencendo resistências e preconceitos da família dela e dos amigos. Ficamos juntas cinco anos maravilhosos, mesmo quando riam de nós na rua, pois sempre andamos de mãos dadas. Estávamos acima de tudo. No fim do mês passado, veio a desilusão. Ela se apaixonou pelo primo (um homem, imagine!) e foi viajar pelas praias do Nordeste. Estou pensando em tomar uma atitude drástica. Não me abandone, Miss Heart, me diga o que fazer.

Eu e meu marido não tivemos a bênção de um filho. Tentamos de tudo, sem resultado. Então, decidimos que adotaríamos um. Meu marido adorou a idéia e disse que há meses já tinha um garotinho em vista. É filho de uma vizinha viúva, muito linda, que morreu muito jovem. Concordei imediatamente com a idéia. Mas com o passar dos meses, percebi que o menino é muito, mas muito parecido com o meu marido. Acho que tem alguma coisa suspeita. Qual a sua opinião, e o que me aconselha, Miss Heart?