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Crise econômica e bebida derrubam Papai Noel
Por Luzineide
Gomes
Editora de Datas Máximas
Papai Noel há 25 anos, o bancário aposentado Nivaldo
Forletti experimentou anteontem o sabor amargo da crise econômica,
a humilhação de um fim de noite de bebedeira e momentos
constrangedores na polícia.
Depois
de passar duas horas divertindo os funcionários de um escritório
numa festa de despedida, ele saiu de lá “alegre demais”,
como conta, encontrou um velho amigo, que também faz uns
extras como Papai Noel, e foram para um bar.
O
amigo começou a lamentar também o cancelamento de
vários compromissos em dezembro, os dois choraram as mágoas
na bebida e isso é tudo de que Forletti se lembra. Quando
acordou, com alguém lhe dando uns tapas suaves no rosto,
viu que estava na delegacia, diante de um policial, que o ajudou
a curar a bebedeira.
“Sujeira”
Não
houve maiores problemas, pois Forletti chamou a mulher, que explicou
tudo na delegacia e ele foi logo liberado, já que não
causara qualquer problema. Mas o pior estava por vir no dia seguinte,
quando uma dessas revistas de fofocas publicou uma foto constrangedora
dele,caído num beco próximo do bar, seminu, com
uma garrafa na mão.
Um
vizinho levou a revista à casa dele e a foto poderia ser
de qualquer um, não fosse o fato de o nome Nivaldo Forletti
aparecer na legenda. No alto da foto, o título: “Papai
Noel bebe todas antes do Natal”.
A
revista causou comoção, protestos e muitas piadas
na rua onde ele mora, na zona oeste de São Paulo. Forletti
não se lembra de nada, admite que bebeu bastante, mas acha
que tudo foi montado pelo fotógrafo, que olhou seus documentos,
tirou sua roupa e aproveitou para fazer a foto.
“Alguém
fez uma grande sujeira comigo”, ele lamenta.
Prejuízos
Aos
57 anos, Forletti se orgulha de ter criado a família de
quatro pessoas, construído uma casa confortável
e educado o casal de filhos com o dinheiro que ganha há
três décadas fazendo o papel de Papai Noel em um
sem número de festas e eventos. Por uma hora de visita,
entregando presentes e contando histórias, ele cobra 450
reais. Isto é, cobrava, pois tudo mudou.
“Dezembro
sempre foi o grande mês para mim e Papai Noel. A vida toda
ganhei muito com festas de fim de ano em escritórios, fábricas
e lojas. Então, no mês passado desabou na minha cabeça
a crise econômica”, ele se queixa. “Nada menos
que 37 compromissos meus foram cancelados, dos 50 que eu tinha
agendado até o fim do ano. E o que restou tive que cobrar
pela metade. Por alto, eu ia faturar aí uns 15 mil a 20
mil reais. Agora, nem sei como vou viver, sustentar a família
e pagar as dívidas. Pelo que dizem, a crise não
tem data para acabar. Para piorar, aquela foto pode arruinar ainda
mais minha vida”.
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