| Faltando
menos de três meses para o fim do ano, já começo
a me mexer porque a parada é da pesada, a concorrência
está cada vez mais forte e o dinheiro anda curto.
Se
vocês querem saber, 2008 foi um dos piores anos pra mim.
Tive que trabalhar dobrado, aceitar viagem em cruzeiro marítimo
de segunda linha e até me fingir de noiva de um garotão
ricaço, que queria impressionar a família no interior
de São Paulo, de olho na herança do pai fazendeiro.
Foi um trabalho duro de uma semana inteira, cobrei barato, me
cansei pacas e voltei como fui, cheia de contas pra pagar.
Então,
desde agora já estou trabalhando a fim de recuperar o tempo
e o dinheiro curto, custe o que custar. Já comecei a selecionar
na minha agenda nomes de amigos e clientes legais, que me dão
dicas de festas elegantes ou então pagam muito bem pela
minha companhia por uma ou duas noites no Natal e Ano Bom.
Por
enquanto, já escolhi cinco nomes, daqueles que nunca dão
mancada, são muito divertidos, soltam o dinheiro fácil
e não pensam só em sexo, pois adoram um romancezinho
legal. Minha profissão não é bem de romance,
mas não faz mal a ninguém, não é mesmo?
Ainda
é um pouco cedo, mas um grande presente de Natal pra mim
seria outra vez um programa com um dos meus mais queridos, antigos
e fiéis acompanhantes. Homem bonito, 54 anos, alto, gentil,
amoroso, casado e muito, muito generoso. E, cá entre nós,
senador.
Somos
amigos há mais de 15 anos e no meu aniversário de
30 anos, me deu um carro zero. No Natal de 2000, foi mais generoso
ainda e me presenteou com o apartamento onde moro. É homem
importante, muito ocupado, mas, se eu rezar bastante, fizer muita
figa, quem sabe ele não será meu presente de fim
de ano outra vez. |