Fantasias de consumidor

A coluna Defecon (Defesa do Consumidor) foi criada para proteger você, leitor e consumidor. Ela é coordenada por Hércules Olhovivo, pseudônimo de Atílio Diniz Sé Mendonça, economista, advogado e especialista em pesquisa de preços. Mas a nova seção só funcionará se o leitor nos ajudar, buscando esclarecimentos, denunciando abusos, alterações e omissões nos preços, pesos, embalagens, rótulos e todos os truques usados pela indústria, pelo governo, comércio e entretenimento para enganar o consumidor.

Planos de saúde, telefones, fixos e celulares, e bancos são os campeões de reclamações nos serviços de proteção ao consumidor. Os jornais estão cheios de queixas, protestos e indignações, mas essa gente não se emenda, é ou não é?

Parece até que combinaram tudo para enganar o público. O raciocínio é simples: quem não usa plano de saúde, telefone ou banco? Somos obrigados a usar, claro. Então, eles sabem disso e deixam a coisa rolar, sem tentar solucionar os muitos e muitos pepinos que surgem todo dia.

Tenho um amigo, como todo mundo, vítima eterna dessas empresas. E não é pra menos. Sua família é grande, mulher, quatro filhos e mais a mãe idosa. Paga uma fortuna de plano de saúde. Na casa dele, são oito celulares e quatro telefones fixos e tem conta em três bancos. Não é rico, como parece, e com tanta coisa sofre mais que nós todos.

Cansou de reclamar, já levou várias queixas à Justiça, ganhou quatro, perdeu duas e diz que vai continuar, até cansar, ou até que as coisas melhorem. Coitado.

Sabendo disso, ele inventou algumas fantasias, que, se não resolvem seus problemas, pelo menos servem como sonhos impossíveis e divertidos.

A primeira delas é um plano de saúde quase perfeito, e que, não usado durante cinco meses, terá descontos correspondentes, descontos de 15 por cento em cada mês. Depois, celular com carga para 45 dias, tarifas telefônicas com 48 por cento de desconto para quem pagar seis meses em dia. Por fim, a maior das fantasias dele. Um slogan criado pela agência de publicidade que seria absoluta e revolucionária verdade, anunciando “O banco que acabou com as filas!”.