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Farmacêutico acha no
computador remédio
infalível contra insônia
Por
Ribaldo Coelho
Sucursal do Rio
O farmacêutico Ananias Godinho só resolveu usar o
computador pela primeira vez três anos atrás. O responsável
pela façanha foi seu filho de 15 anos, Flávio, que
convenceu o pai, após várias tentativas, que seus
negócios ficariam muito mais fáceis de administrar
se ele usasse o computador. Com relutância e desconfiança,
Godinho concordou, mas não imaginou que a experiência
lhe traria uma grande surpresa.
Dono
de duas farmácias em Inhaúma, bairro suburbano no
Rio de Janeiro, Ananias, de 46 anos, é daqueles comerciantes
que centralizam todas as atividades da firma, desde a compra e
venda de medicamentos até a nota fiscal de um simples pacote
de fósforos. Nunca admitiu entregar sua contabilidade a
um especialista, e nem mesmo a um parente ou amigo. Ele faz tudo,
tem controle de tudo, garante que sabe tudo o que acontece em
suas duas drogarias. Até dois anos atrás, quando
inaugurou a segunda loja. Então, a confusão começou.
Pressão
Os
clientes dobraram, problemas triplicaram, ele começou a
perder o controle dos estoques e da contabilidade e chegou mesmo
a ser multado pelo imposto de renda, que encontrou irregularidades
nos livros fiscais. Com medo de prejuízos, acabou cedendo
e chamou um amigo para gerenciar a filial. Mas o homem era o oposto
do proprietário: descuidado, nada organizado, então,
a drogaria começou a dar prejuízo. Ananias passava
noites em claro, com terrível insônia, cuidando da
filial e, cansado, cochilava até na mesa de almoço.
Foi
quando o filho Flávio aproveitou a crise e voltou a falar
com o pai para comprar um computador e ordenar e coordenar todas
as operações das duas lojas. Pressionado, Ananias
acabou concordando.
Descoberta
De
início, o garoto foi ensinando o básico do computador,
como ligar e desligar, usar o teclado, coisas simples. Mas o pai
mal agüentava alguns minutos, e dormia profundamente diante
da máquina. E assim foi por dias e dias seguidos. Preocupado,
Flávio diminuiu o ritmo das lições e passou
tarefas ainda mais fáceis, sabendo que o pai, cansado,
ainda estava sob tensão. Mas todas elas terminavam, após
alguns minutos, com Ananias com a cabeça sobre a mesa,
dormindo profundamente, às vezes, roncando alto.
O
garoto fez alguns testes, deixava o pai sozinho e, quando voltava,
lá estava ele roncando como um dorminhoco. Numa dessas
vezes, cinco meses depois, Flávio de brincadeira fotografou
o pai roncando como sempre. Mostrou a fotografia, Ananias deu
risada e acabou contando seu segredo. Desde as primeiras lições,
viu que o computador não era coisa para ele. Complicado
demais, cheio de botãozinho, e muito, muito chato, e tanto,
que minutos depois de ligar, ele começava a ficar sonolento
e acabava dormindo pesadamente.
Para
o filho, decepcionado, revelou: “Desde que compramos o computador,
eu não dormia tanto e tão bem como agora. Eu tentei
de tudo que tinha na farmácia para o sono voltar. Nada
dava certo. O computador foi tiro e queda. É o melhor remédio
contra insônia que eu já vi”.
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