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Menina cavalga jacaré
que ficou manso com
chá de ervas calmantes
Por Caribé
Louveira
Correspondente no Pantanal
A cidade de Cumairinã do Norte, em Mato Grosso do Sul,
ganhou uma atração, que está atraindo a atenção
da população local, de outros estados e até
do exterior. Trata-se de um jacaré tão manso que
pode até ser montado por Tatiane, a filha de sete anos
de Josias Camargo, o homem que o domesticou, segundo ele, com
doses diárias de um chá com várias ervas
calmantes.
Apelidado de Fonfom, o jacaré tem quase três
metros e pesa 250 quilos e quem o vê de perto se assusta
com seu aspecto feroz, mas todos garantem que é manso.
Não é o que pensa Paulo Emílio Sagetti, um
turista de São Paulo que foi conhecer o bicho no pequeno
zoológico que Camargo montou no seu sítio.
“Pode
ser domesticado e inofensivo, mas eu é que não chego
perto dele”, garante Sagetti.
Camargo
ri com a desconfiança do visitante e o convida a passar
a mão no jacaré para mostrar que é mesmo
manso, mas o turista se recusa e diz que prefere ficar bem distante.
No sítio, além de Fonfom, andam soltos
cerca de 30 animais, alguns tidos como “de poucos amigos”,
como ele diz.
É
o caso da jaguatirica, do porco-do-mato e até mesmo uma
gigantesca jibóia, todos de aparência feroz, mas
que segundo o dono não fazem mal a uma mosca.
Camargo explica só metade da fórmula que foi capaz
de tornar os bichos tão mansos e inofensivos. O chá
é uma mistura de ervas reconhecidamente calmantes, como
camomila, melissa, maracujá e capim cidrão. Além
do tal ingrediente secreto, que não conta qual é.
Bicho-homem
não
“Olha,
é uma receita de chá antiga, que eu herdei da minha
avó. Ela teve nove filhos e de vez em quando o pau comia
na casa dela”, conta Camargo. ”Quando não estava
de mau humor, o que raramente acontecia, ela fazia os filhos tomarem
esse chá especial, que ela brincava e chamava de ‘amansa
fera’, e deixava a turma mansinha, mansinha”.
Ele
conta que a avó lhe deu uma vez o chá que o deixou
calmo como um gatinho. Um dia, seu cachorro cresceu e começou
a ficar feroz, às vezes atacando até mesmo gente
da casa. Ele teve então a idéia de botar um pouco
do chá na água do cachorro.
“Foi
um negócio instantâneo, O cachorro ficou manso e
vivia dormindo. Com o tempo, resolvi aplicar em outros bichos”,
afirma. “O primeiro foi o Fonfom, que levou mais
de um ano para me deixar chegar perto. Eu insisti e quase dois
anos depois foi amansando, até ficar como está hoje.
Fiz o mesmo com os outros bichos e olha só o resultado”.
Camargo
descarta logo a idéia de fabricar o chá e vender
em grandes quantidades. “Nada disso, é uma fórmula
de família, não quero ganhar dinheiro com isso.
E depois, quem garante que vai amansar gente. Tem muito bicho-homem
feroz pelo mundo afora, que não tem jeito, não”.
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