Jeca Pacotinho bebe “todas”
e polícia não sabe como agir

Por Rutinaldo Gomes
Do Nossa Cidade

A polêmica e dura lei contra motoristas alcoolizados teve anteontem sua primeira vítima famosa. O sambista paulista Jeca Pacotinho foi surpreendido por policiais com alto nível de álcool no teste do bafômetro. Acontece que ele não estava ao volante, mas seu motorista, cuja dosagem revelou-se ainda maior que a de Pacotinho.

A sorte dos dois é que o carro estava parado em frente a um bar e o sambista alegou aos policiais que não houve quebra da lei, já que não estavam em movimento.

Diante da argumentação inesperada, o policial chamou seu superior, um tenente da PM, que demorou cerca de uma hora para chegar ao local. Enquanto esperavam, o sambista e seu motorista, conhecido como Zé do Mé, voltaram para o boteco onde, segundo prometeram, “vamos beber todas”.

Túmulo do samba

Em vez da caninha Desce Bem, do conhaque Valeu, da vodca Otitchornya e do rum El Jefe, dos quais o sambista é contratado exclusivo, os dois beberam cerveja, muita cerveja, e, segundo o dono, foram cerca de 30 garrafas. Quando o tenente finalmente apareceu, Pacotinho, cujo verdadeiro nome é Jonas da Encarnação, e seu motorista estavam desmaiados de tanto beber.

O sambista, não se sabe como, quebrou o encosto da cadeira e caiu de costas no chão, junto de uma árvore. O motorista conseguiu se agüentar na mesa.

Depois de várias tentativas dos policiais, do dono do bar e de admiradores, Pacotinho e o amigo foram reanimados, entre outras com um copo de água tônica, que o sambista cuspiu imediatamente, queixando-se de que estavam tentando matá-lo.

O filho do dono do bar levou os dois para casa. Ao entrar no carro, ainda sob o efeito da bebida, o sambista começou a chorar, abraçado no policial, e lamentava: “São Paulo não é o túmulo do samba, São Paulo não é o túmulo do samba”.