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Malvina, o som e a fúria
Uma
nova colunista estréia hoje em nossas páginas (veja
ao lado). Contestadora, mal-humorada, “encrenqueira desde
criancinha”, Malvina Rabbia Hirada, 66 anos, natural de
Petrópolis, nunca se esquece do dia em que descobriu seu
“temperamento dos diabos”, como confessa.
“Eu
tinha 16 anos e o professor de latim, sujeito antipático,
cheio de caspa e incompetente, chamou minha atenção
durante a aula porque eu conversava com uma colega. Pedi desculpas,
mas ele continuou me apoquentando. Perdi a paciência e o
chamei de imbecil. Ele me expulsou da sala e peguei cinco dias
de suspensão. Mas não ficou assim não. Uma
tarde, esperei a saída da aula, atrás de uma árvore,
e lhe dei o maior soco na cara que já tinha levado. Teve
o que merecia”.
Desde
então, foram anos e anos de discussões, confusões
e um sem número de confrontos físicos, um deles
aos 14 anos, com um ascensorista que olhou para ela, como diz,
“de mau jeito”, e com o qual se engalfinhou num elevador
lotado.
Aos 18 anos, tornou-se professora sem diploma (“coisa para
néscios”, garante) e por 40 anos lecionou para todos
os tipos de alunos (“a grande maioria um bando de débeis
mentais”). Quando se aposentou, oito anos atrás,
passou a escrever poesia, contos e agora prepara uma autobiografia,
intitulada “Este Pobre Mundo dos Idiotas”.
Amiga
pessoal há anos de nosso editor-chefe, Castor Jr., Malvina
só concordou em escrever para o SacolãoBrasil
após vários convites, assim mesmo por insistência
da neta, Laurita. |