Passatempo americano
é mais uma ameaça na
devastação da Amazônia

Por Roberval Figueira
Correspondente em Manaus

Um esporte criado décadas atrás nas regiões madeireiras dos Estados Unidos, está chegando ao Brasil e constitui mais uma ameaça para a devastação de nossas florestas. Chamado de ‘logrolling “(rolatronco), é uma popular disputa entre lenhadores americanos, que, em pé num grande tronco de árvore dentro de um rio ou um lago, tentam se equilibrar sobre ele, enquanto rola na água. O vencedor, claro, é aquele que consegue derrubar o adversário e se manter no tronco.O jogo também é praticado por um homem só, que deve rolar o tronco o máximo possível sem cair.

Muito popular nos estados americanos de Oregon e Washington, e no oeste do Canadá, o rolatronco precisa de grandes toras, cortadas de árvores centenárias existentes na região, entre os maiores centros de extração de madeira em todo o mundo.

Pois é este esporte que já está sendo praticado em vários locais da Amazônia, trazido, segundo um empresário da região, por um grupo de lenhadores americanos, chefiados por um certo Ronald Woodpecker, contratados por uma madeireira do estado do Pará. Como o esporte só pode ser praticado com toras gigantes, as maiores árvores estão vindo abaixo indiscriminadamente, estejam ou não prontas para o corte.

Como postas

“Só faltava essa para ajudar a devastar ainda mais nossas já tão ameaçadas florestas”, queixa-se Rolando Arruda, engenheiro-agrônomo e membro da organização de proteção ao meio ambiente chamada Clorofila Pede Socorro, da cidade de Amaruenã, sul do Pará.

“Já fizemos várias denúncias sobre este absurdo, mas as autoridades não deram a menor atenção”, afirma Arruda. “Na madeireira que contratou os americanos, que fica a apenas 180 quilômetros de Manaus, já estão sendo realizados campeonatos de rolatronco desde o começo do ano. Quando visitamos o local, durante uma dessas disputas, encontramos no rio dezenas de toras de árvores das mais nobres e centenárias da região. Derrubadas e cortadas em postas como se fossem peixes. Um crime de selvageria e destruição que não pode ficar impune. A denúncia é esta, o resto é com as autoridades”.