Meu tour de cultura e emoção

Sou admirador e colecionador de coisas antigas, principalmente tapetes e peças de alabastro. Para meus leitores entenderem minha paixão por essas coisas, no mês passado peguei um avião assim que um amigo paulista me contou que soube por uma revista de arte que um dos maiores colecionadores do mundo,o holandês Worst Zuur, tinha em sua mansão nada menos que uma alabastroteca!

O nome é pouco conhecido, mas quer dizer simplesmente uma coleção de peças de alabastro.O escritor Wilhelm van Dergraasten, velho conhecido, serviu de intermediário e intérprete e fui recebido por Zuur em sua cinematográfica mansão nos arredores de Haia.

Impossível , neste tão limitado espaço que me concedem, descrever metade das emoções e sensações que me foram apresentadas pelo cavalheiresco, fino e ilustrado anfitrião, homem do mundo, das artes e das coisas belas deste planeta, cada dia mais e mais escassas, já que as legiões de plebeus selvagens avolumam-se de uma semana para outra.

Após um almoço de sonho, com delícias que conheço e outras que, lamentavelmente, nunca havia experimentado, Zuur levou-me num tour que batizei de “caminho das maravilhas”, tal a quantidade de obras de arte de inenarrável beleza e riqueza. Para começar, logo na entrada do estúdio, instalado numa espécie de nicho de mármore negro, com iluminação indireta em dez cores, uma pintura de Van Gogh! Como se isso não bastasse, a obra é pouco conhecida da maioria de colecionadores e especialistas! Chama-se Entardecer em Arles e, soube depois, por um marchand de Antuérpia, está avaliada em 180 milhões de euros!

Fiquei imaginando: se o chamado “aperitivo” era assim tão glorioso, como seria então a alabastroteca, orgulho maior de Zuur? O que veio depois me deixou sem fala, sem ação e sem enxergar por alguns momentos. Ao fim de uma galeria com cerca de 50 metros, as paredes de madeira de lei cobertas de obras de arte, chegamos finalmente à entrada. A senha para abrir a porta majestosa eram palmas ritmadas, cujo segredo só ele conhece. Quando comecei a divisar o interior da alabastroteca, meu coração disparou incontrolavelmente, e então eu comecei a perceber algo indescritível. (continua)