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Num futuro não muito distante, o mundo será
dominado pelos idiotas, garante antropólogo
Por
Nécio Moron
Caderno Novas Idéias
O sociólogo e antropólogo cultural Markus Lima Tandhem
é de opinião que daqui a alguns anos o empobrecimento
econômico e cultural da população dará
ao planeta uma esmagadora maioria de pessoas incultas e pouco
inteligentes.”Idiotas, pura e simplesmente”, como
afirma. Ele baseia sua ousada afirmação em extensa
pesquisa que fez no Brasil e em resultados de estudos realizados
em oito países. Sua tese principal é a de que as
pessoas civilizadas e cultas, que se preocupam com sofisticação,
civilidade e bom gosto, estão sendo pouco a pouco acuadas
e alijadas dos centros de decisão pela crescente legião
de milhões e milhões de pobres, miseráveis
e semi-alfabetizados, aos quais os governos, por um motivo ou
outro, negaram ou negligenciaram seu o acesso à cultura.
Alijadas
“A
onda mundial de mediocridade e futilidade aumenta a cada dia.
E como as classes sofisticadas estão cada vez mais alijadas
das decisões, essa legião de medíocres cresce
diariamente, sem encontrar resistência, enquanto as pessoas
que contam, em bom gosto e cultura, estão desaparecendo”,
afirma Tandhem. “E não é somente no Terceiro
Mundo. Também nos países civilizados e ricos, como
Estados Unidos, Inglaterra, França, esses tsunâmis
destruidores, que chamo de ‘massas anticultura’, procuram
o mais acessível, digerível e medíocre, por
preguiça, desinformação ou pura e simplesmente
porque é mais fácil, não dá trabalho,
não exige análise ou escolha”.
Exemplos
Ele
prossegue: “É claro que o acesso a esses estratos
mais altos da civilização exige custos, oportunidade
e facilidade, que, obviamente, não estão à
disposição da maioria. Mas o que dizer daquela parcela
da chamada elite, e aqui falamos do Brasil, que usa seus carros
de luxo para humilhar, atropelar e fugir. E daqueles que vão
a concertos de música erudita, não desligam seus
celulares e, não raro, conversam em pleno espetáculo?
Sem falar nas senhoras da sociedade privilegiada, que se desmancham
e perdem a dignidade ao perceber que podem se promover diante
de um fotógrafo dessas horríveis revistas de fofocas?
Cada um de nós tem um exemplo dessa legião de medíocres,
que se multiplica a olhos vistos”.
Tudo
piorou
Tandhem
faz questão de enfatizar que não se trata de uma
posição elitista ou pedante, mas de uma constatação
científica, sociológica, antropológica e
histórica, baseada em anos e anos de pesquisas e publicações
internacionais.
“As estatísticas e constatações estão
aí para quem quiser ver”, ele afirma. “Nos
EUA e na Europa, o número de amantes da ópera, aqueles
que freqüentam os teatros e compram cds e vídeos,
caíram em 45 por cento. As vendas de livros de poesia não
são nem a metade do que eram dois anos atrás, na
França, Inglaterra e Rússia, que sempre fizeram
deles verdadeiros best sellers. O que é isso, senão
o recesso na cultura? Enquanto isso, milhões e milhões
de exemplares da literatura do mais baixo nível são
vendidos mensalmente nos quatro cantos do mundo Os espetáculos
de rock, com ‘música’ ofensiva e milhares de
pessoas pulando feito símios,no palco e na platéia,
são o que encontramos hoje em todos os cantos do planeta.
Esse baixo nível tomou conta de tudo, teatro, cinema, televisão,
literatura.”
Dejun
antecipou
Ele
abre um grande arquivo cheio de gavetas e mostra ao repórter
uma gravura do artista romeno Micul Dejun, feita 40 anos atrás,
que o antropólogo considera uma tragicômica e fiel
interpretação da destruição da cultura
e a invasão final do mundo pelos idiotas.
Do céu estrelado surge em velocidade uma figura imbecilizada,
tal qual um meteoro devastador, prestes a se chocar com o nosso
mundo, representado por pessoas ainda mais imbecis, que fogem
em pânico. No alto à direita, a Lua observa, língua
de fora, totalmente idiotizada.
“Dejun morreu em 87, era homem da cultura, poeta, músico,
escritor e artista plástico e anteviu com sua gravura,
já nos anos 60, o que aconteceria com a humanidade”,
sentencia Tandhem.” Se ele visse nosso mundo agora, levaria
apenas meio susto, porque já havia antecipado o começo
do nosso apocalipse mental e cultural”. |