| Billy
Lima, criador e coordenador desta coluna, é cantor,
compositor, escritor, cineasta, poeta repentista e conhece como
poucos os bastidores do show business nacional e internacional.
Ele apresenta hoje o depoimento do motorista Cedino Carlos
Gomes, de Manacapuru, AM.
Sou
motorista de caminhão há muitos anos aqui no Amazonas
e quando não estou na estrada, dirigindo um bitelão
daqueles de 18 rodas, vou pra beira do rio pescar. Tem vezes que
fico lá dois, três dias, sem ligar pra nada. Ninguém
conhece a região melhor do que eu, pra pescar, caçar
ou bater perna pela selva.
No ano passado aconteceu um caso que mexe comigo até hoje.
Um pessoal importante da cidade de Manaus bateu na minha casa
e disseram que queriam me contratar pra levar um gringo americano
para uma pescaria. Mesmo que não pagassem eu ia, mas me
deram uma bela nota e eu topei na hora.
Além do gringo, um cara vermelhão, de boné
e mais ou menos do meu tamanho, vieram mais três, um deles
carregando a maior quantidade de máquinas de fotografia
que eu já vi na vida. Nem nas vitrines lá da zona
franca eu tinha visto tanta bugiganga para fotos.
No que aparecia um passarinho voando e cantando na árvore,
e o cara batia lá a fotografia, e qualquer bicho que rodava
perto da gente, o cara tome foto. De vez em quando ele mandava
ver uma pose no tal vermelhão. Então eles me perguntaram
onde era o rio que tinha mais peixe. Era comigo mesmo, pois só
eu conhecia um lugar com tanto peixe que só faltava o pirarucu
pular no seu colo.
Levei os homens lá e eles ficaram loucos, de tanto peixe
que pegaram. O vermelhão fisgou um grandão e eu
tive que ajudar a tirar da água, pois o bicho era dos maiores
que eu já tinha encontrado. Era um pirarucu de três
metros ou mais, sem exagero.
Quando conseguimos arrastar o bichão pra margem, o gringo
tava tão feliz da vida que me abraçou com força
e o fotógrafo tacou logo a máquina na gente. A pescaria
e a caçada levaram uns cinco dias e aí os gringos
foram embora pra Manaus e depois pra terra deles.
Um dia, sem querer, peguei um jornal da capital e tomei um susto.
Lá estava a minha foto junto com o gringo vermelhão
e o pirarucu que a gente pegou. Me disseram que o cara, um tal
de Spileberg, era gente muito famosa e fazia filmes que corriam
o mundo inteiro. Não entendo nada dessas coisas, mas um
amigo de Manaus explicou que foi só eu aparecer naquela
foto pra ficar famoso como o cara do cinema.
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