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Dono de madeireira, milionário e poderoso, desmata e corrompe
Por
Tito Carvalho
Enviado especial a Suacilândia
O dono de uma madeireira, preso anteontem por desmatar uma área
de 48 mil metros quadrados, em Suacilândia, norte do Pará,
disse que vai pagar fiança e voltar a agir da mesma maneira.
Serivaldo Gomes, conhecido na região como “o milionário
da serra elétrica”, é alvo de seis processos
por desmatamento, é acusado devastar com fogo cerca de
200 mil alqueires, para criação de gado e plantio
de mamona e rabanete, e já se livrou quatro vezes de ações
e processos, graças a uma grande equipe de advogados, pagos
a peso de ouro e padrinhos nos altos escalões, segundo
um ex-empregado.
“O
Serivaldo é rico e poderoso, tem padrinhos fortes aqui
no Estado e principalmente em Brasília e gasta fortunas
em subornos, ameaças e intimidações”,
afirmou o empregado, que pediu para não ter seu nome divulgado.
O promotor público do município, Paulo Henrique
Picchio, disse que “nós fazemos a nossa parte, que
é deter o acusado e tentar processá-lo criminalmente.
Mas o homem tem proteção bem do alto, e acaba saindo
impune”.
“Selva
de pedra”
O
deputado Tyrone Lima Novelino, um dos mais ferrenhos batalhadores
contra o desmatamento na região, é de opinião
que todas as campanhas nacionais e internacionais, bem como pressões
de entidades de proteção ao meio ambiente, se mostram
inúteis contra a fúria e força dos madeireiros
e plantadores de mamona e rabanete e criadores de gado.
“Além da falta de gente e da notória incapacidade
da fiscalização, há outros obstáculos
muito grandes”, ele afirma. “Na minha opinião,
essas entidades de proteção ao meio ambiente devem
deixar de lado os protestos na Amazônia e fazer pressão
diretamente na”selva de pedra” de Brasília.
É de lá que saem os grandes desmatamentos”.
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