| Fim
de ano, Carnaval e São João são as épocas
do ano em que recebo o maior número de correspondência.
Não me perguntem por que, eu não sei, tenho apenas
alguns palpites. Um deles é porque são festas, todas,
ou quase todas se divertindo, e acompanhadas pelo namorado, marido,
amante, seja o que for. As que não tem nenhum deles são
as que me escrevem, eu acho.As leitoras abaixo me enviaram suas
confissões e apelos no Natal e começo do ano.
Querida
Miss Heart, me ajude, por favor! Sou viúva, vivo sozinha
o ano inteiro, até que numa festa de Natal conheci um homem
que mexeu comigo e me fez apaixonar outra vez assim que o conheci.
Quarentão, bonito, inteligente, com uma linda e bem cuidada
barba branca. Bastou meia hora de conversa, entre um champanhe
e outros, e vi que podia ser o homem de minha vida. De repente,
ele se levantou e disse que ia buscar outra garrafa de champanhe.
E não voltou mais. Esperei muito tempo e depois resolvi
ir procurá-lo, mas não achei mais. Até agora
penso nele, sem parar. Como mulher experiente, qual a sua opinião?
Viúva Solitária, Anápolis,
GO.
Muito
estranha a sua história, Viúva Solitária.
Mas como era festa de Natal, acho que você tomou umas e
outras e imaginou coisas. Ou então o homem de barba branca
bem cuidada era o Papai Noel.
Ele
é casado, eu sou solteira e estamos tendo um caso há
mais de um ano. Outro dia, resolvi fazer um teste e usei o velho
truque de pedir que decidisse entre a esposa, que ele diz não
amar mais, e eu. Ele usou em troca outro velho truque, tipo “me
dê uns dias para pensar”. Acontece que já passaram
seis meses, e ele sumiu. Por favor, Miss Heart, me dê uma
luz. Sem Amor, Rio de Janeiro.
Posso
estar enganada, Sem Amor, mas acho que o truque dele foi melhor
que o seu. |