|
Folião-símbolo de Brasília
morre de febre amarela
na véspera do Carnaval
Por Carina
Calheiros
Sucursal de Brasília
Salim Otar Zavardal, considerado o maior carnavalesco de Brasília
e eleito folião-símbolo por três anos seguidos,
morreu no último dia 3, aos 36 anos, vítima de febre
amarela.Sua morte, às vésperas do Carnaval, chocou
amigos, conhecidos e admiradores, que diziam que ele gozava de
perfeita saúde.
Em sua homenagem, a escola de samba Senadores da Folia, que Zavardal
fundou e da qual era o presidente, decretou luto por três
dias e cancelou sua participação no Carnaval da
Capital Federal.
“Não posso acreditar”, afirmou, desolado, o
co-fundador da escola de samba e amigo de longa data, o deputado
Paulo Ariejus.”Uma semana atrás eu e ele discutíamos
qual deveria ser o tema e as fantasias da escola. Salim estava
muito animado e disse que ia até Mato Grosso do Sul visitar
a família e convidar vários amigos para desfilar
com a gente. Acho que foi onde ele pegou a febre, pois viajava
sempre para a fazenda que sua família tinha por lá”.
Filho
do ex-senador Paulo Emílio Otar Zavardal, que sonhava com
o filho seguindo a carreira política, Salim preferiu fazer
um curso de arte dramática na Inglaterra, onde chegou a
participar de filmes e peças teatrais. E brincava com o
pai, dizendo que arte dramática e política são
semelhantes, pois ambas tratam de dissimulação e
interpretação.
Em 1998, quando o pai foi ameaçado de cassação,
acusado de estelionato, prevaricação e falsa ideologia,
mas conseguiu se safar por causa da votação secreta
no Senado, seu filho voltou do exterior e ficou ao lado do pai
durante todo o processo. Quando não conseguiu ser reeleito,
Zavardal mudou-se para sua fazenda em Mato Grosso do Sul.
Salim passou a morar em Brasília e decidiu fundar a escola
de samba Senadores da Folia. Criador de alguns dos bailes de Carnaval
mais animados da capital, que ele organizava e bancava do próprio
bolso, sem qualquer ajuda oficial, tornou-se o nome mais popular
nas lides carnavalescas da cidade e acabou eleito três vezes
folião-símbolo.
Inconformado com a morte do amigo, Paulo Ariejus lembrou declaração
recente das autoridades federais, que garantiram que a febre amarela
está controlada e a população brasileira
não corria qualquer perigo durante o Carnaval: “Deus
permita que saibam o que estão afirmando”, ele disse.
|