| Eu
planejei fazer um balanço de 2007, mas não tenho
tempo nem talento para escrever tudo o que queria. Então,
vou lembrar o que merece ser lembrado, pelo menos pra mim.
Acho que o episódio mais forte do ano que passou foi outra
vez a corrupção, da turma do governo e da gente
de fora. Como mentiram, como roubaram, como fingiram, mesmo com
as provas jogadas na cara deles! Um velho amigo meu, também
na mesma profissão de palhaço, costuma dizer “Olhem,
corruptos, eu sou palhaço de profissão, não
de verdade. Vão enganar outros!” Uma frase pra não
se esquecer, não é mesmo? Um desabafo que resume
como a gente do circo se sente, bem como os brasileiros sérios.
Já
falei disso aqui mesmo na coluna, que costumo olhar o Brasil do
meu picadeiro, onde faço palhaçadas e acrobacias.
Se o chamado respeitável público do circo, que é
também o nosso povo, ri bastante é porque a piada
é boa e porque a vida dele não vai muito mal.
Por
outro lado, quando eu vejo que os risos são fracos, meio
abafados, percebo logo que a vida não está das melhores,
tem algo impedindo, atrapalhando. Estou na profissão há
várias décadas, aprendi a ver as coisas assim, e
na maioria das vezes não me enganei, pois acho que sei
ler e entender as reações da platéia do circo
diante do estado das coisas no país.
Por
isso tudo, estou percebendo que, mesmo a economia não sendo
das piores, o povo, além de afrontado com a corrupção
dos políticos, não está tendo a vida tranqüila
que merece, principalmente na questão econômica.
Eu falo da classe média como eu.
Os
leitores me desculpem se não consegui escrever o que eu
sinto, assim como milhões de brasileiros. Mas continuo
tendo esperança, mesmo com tanta corrupção.
Tomara que este novo ano seja melhor que o anterior e não
façam todos nós de palhaços.
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