| Meus
programas prediletos na televisão são filmes, documentários
e esportes. Ultimamente tenho deixado a televisão aberta
de lado (e com razão) para me dedicar mais à de
cabo. Não se trata só de elitismo, mas questão
profissional, pois tenho de cobrir em minha coluna toda a televisão,
goste ou não.
Não
é brincadeira, minha gente.Já pensaram, quanta droga
no cabo? Querem saber? Tanta droga quanto a outra televisão.
Os canais de filmes então me fazem lembrar daquela grande
piada da famosa revista Mad, sobre o velho seriado Cidade Nua,
que contava casos dramáticos de Nova York e encerrava o
show dizendo: “Há oito milhões de histórias
na cidade nua. Essa foi apenas uma delas”.
Com o humor afiado de sempre, a revista perguntava: “Se
há oito milhões de histórias na cidade nua,
por que é que eles só passam reprise?”
Pois
é, nos canais da televisão paga não há
oito milhões de filmes, mas a piada vale: se há
tantos filmes disponíveis, por que é que eles só
passam reprise?
E o pior: reprises ruins. E ainda pior: reprises dubladas, a maioria
com um zé-mané qualquer dublando atores como Marlon
Brando, Robert DeNiro, Al Pacino e muito outros, cuja voz brasileira
acaba reduzindo-os a caricaturas de carregados sotaques cariocas
e paulistas.
Os donos desses canais afirmam que o público não
consegue acompanhar as legendas dos filmes, daí, as sinistras
dublagens. Será verdade? Será que quem gasta um
bom dinheiro para ter em casa a TV paga é de nível
tão baixo assim, daquele tipo que lê jornal e livro
no metrô mexendo os lábios? Nada disso. É
que dublar sai mais barato que legendar.
E os tradutores dos filmes?! Pela mãe do Orson Welles!
Quanta tolice, quanta burrice. Pelo que tenho visto, devem ser
garotos no primeiro estágio do curso de inglês. Qualquer
nome, qualquer evento transcorrido dez anos atrás são
para eles profundos mistérios, total desconhecimento. Se
eu fosse contar aqui as asneiras que perpetram teria de dedicar
a elas várias colunas.
Não
foi isso que os donos desses canais nos prometeram no início:
bons filmes, programas de nível com legendas e sem anúncios.
Aqueles que podem pagar por esses canais, que custam caro, e já
são seis milhões de assinantes (pelo menos é
o que dizem), descobriram que foram aliciados por promessas enganosas.
No meio de tanto desastre na televisão paga, faço
a pergunta que não quer calar: o brasileiro é bonzinho,
ótimo sujeito, tudo está bem, mas quando vai surgir
alguém, ou grupo, que entre com uma ação
contra essa gente, exigindo que cumpra o contrato original prometido
e hoje tão desvirtuado?
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