Cuidados com as ceias natalinas

A coluna Defecon (Defesa do Consumidor) foi criada para proteger você, leitor e consumidor. Ela é coordenada por Hércules Olhovivo, pseudônimo de Atílio Diniz Sé Mendonça, economista, advogado e especialista em pesquisa de preços. Mas a nova seção só funcionará se o leitor nos ajudar,buscando esclarecimentos, denunciando abusos, alterações e omissões nos preços, pesos, embalagens, rótulos e todos os truques usados pela indústria, pelo governo, comércio e entretenimento para enganar o consumidor.

Geralmente é por ocasião das grandes datas que acontecem as maiores ameaças contra a saúde e o bolso do consumidor. Carnaval, com seus perigosos e solados churrasquinhos de gato; na Páscoa, em que os chocolates são tudo, menos chocolates, e principalmente no Natal, quando um sem número de artigos comestíveis, daqui e do exterior, invadem os lares brasileiros e levam perigo para todos.

O que comprar e como escolher são geralmente as primeiras indagações que o comprador deve fazer se não quiser ser ludibriado.

Como exemplo, cito o caso de um amigo meu, que gastou certa vez uma fortuna, num conhecido supermercado, por cinco quilos de “bacalhau do bom” e só durante a ceia de Natal descobriu que era, nada mais nada menos, que um prosaico pirarucu!

Grande parte das queixas que esta coluna recebe dos consumidores no fim do ano é sobre o bacalhau. O produto ótimo tem preço altíssimo, o bom é caro, e o ruim é barato, mas costuma estragar o paladar e a ceia do Natal. Por isso, minha tia, uma sábia mulher e ótima cozinheira, decidiu substituir o bacalhau importado por pescados de boa qualidade e sabor, de preços acessíveis ao comum dos mortais. Pensem nisso, leitoras e leitores.

Outro artigo que nesta época do ano sempre causa controvérsia, quando não dor de cabeça e de barriga,é o vinho. Ah, o bíblico e delicioso vinho! Quantas glórias em seu nome, quantas tragédias, quantas celebrações, quantos desarranjos intestinais!

Pois é, como não sou especialista em vinhos, consultei um amigo meu, o enólogo e sommelier Xavier Heartburn, que não complicou e resumiu minhas muitas indagações a algumas palavras: “Quem não pode comprar o melhor, compre o bom e se não pode comprar o bom, beba outra coisa”.