| Meu
Natal Inesquecível!!!
Por
Basílio Penaforte*
Durante
30 anos me vesti de Papai Noel para as crianças do meu
bairro aqui no Rio. Gente, quanta coisa pra contar, quantas emoções
e decepções! Ri e chorei como qualquer criança,
fui mais feliz do que triste. Apesar dos sufocos, do calor dentro
da roupa, e das coisas inesperadas, eu faria tudo outra vez, se
pudesse.
Dinheiro grosso só faturei uma vez, quando uma empresa
internacional me chamou para animar a festa de fim de ano deles.
Uma nota preta mesmo! No resto, só mixaria. Ainda assim,
tenho muitas e boas recordações.
De todas elas, nunca me esqueci quando fui chamado para dar um
pouco de alegria às crianças de um asilo de órfãos.
Já entrei com um nó na garganta, de ver aqueles
pequeninos tão solitários, enquanto outros, no aconchego
e felicidade do lar, comemoravam alegres a data máxima
da Cristandade.
As
crianças do orfanato riam de felicidade com os brinquedos
simples e baratos que eu distribuía, mas para elas eram
um tesouro. De vez em quando, eu dava alguma desculpa e saía
do salão para ir chorar escondido lá fora.
Os presentes já estavam no fim quando vi num canto do salão,
muito triste, um garoto que não participava da alegria
geral. Estava agarrado na sua maleta da escola
Estranhei
e fui até lá. Ao chegar perto, algo no rosto dele
me fez parar de repente. Foi um choque, um grande choque!
Não pode ser verdade!, disse para mim. Não pode
ser verdade! Será, meu Deus?! Será ele mesmo?! Minhas
pernas ficaram bambas, a vista ficou turva e tive a impressão
que ia cair no chão.
Sete
anos atrás, nosso filho, Liberato, desapareceu quando voltava
da escola. Todas as nossas buscas, e foram centenas delas, não
tiveram resultado.
Anos e anos de esperança e preces finalmente terminaram
sem sucesso. Foi terrível.
Agora, naquela véspera de Natal no orfanato, uma luz de
esperança se acendeu outra vez no meu coração.
Não tive dúvida que aquele garoto triste, segurando
com força sua pasta escolar, era meu filho desaparecido
há tantos anos. Dominei um pouco a emoção
e, quase sem fala, ia gritar o nome dele, e...
“Felício!
Felício!”, um homem gritou. “Vai chegar atrasado
na escola!”
O garoto se levantou rápido, e disse; “Tou indo,
pai, tou indo!”
Felício?!,
pensei comigo, que diabo é Felício?!
Passada
a surpresa, corri ansioso para conversar com o homem. Era o Givaldo,
zelador do orfanato. Felício era filho dele de verdade,
desde que nasceu.
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Ex-deputado federal, administrador de empresas e três vezes
vencedor do concurso internacional Global Santa Claus (Papai Noel
Global), realizado na Lapônia.
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