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Por
insistência implacável do meu editor, tive de aceitar
um convite para assistir, em Hollywood, à pré-estréia
mundial de um desses espetáculos milionários, barulhentos
e juvenis que os americanos fabricam em massa.
Trata-se daquilo que os coleguinhas pouco confiáveis da
crítica chamam de “megablockbuster”, grande
e vazio, indicado para crianças de várias idades.
Produzido pelos estúdios Giant Mogul Pictures, o filme
chama-se “Super Hero of the World Against Crabman”
e custou, segundo o publicista do estúdio, Fred Conman,
380 milhões de dólares.
Fiz as contas, enquanto participava de um daqueles imensos e aborrecidos
coquetéis no hotel Fleabag Wilshire Boulevard, e concluí
que com este orçamento astronômico poderíamos
fazer no Brasil mais de 40 filmes de alto nível intelectual
e técnico!
Um absurdo, já se vê! Mas o que fazer? Os americanos
e Hollywood gostam desses exageros. Seus filmes estão cada
vez mais caros e medíocres. Enquanto isso, a guerra no
Iraque custa centenas de vidas e bilhões e bilhões
de dólares. É bem o estilo “made in USA”:
tudo para eles é um espetáculo, milionário,
cruel e sangrento.
O filme, que deve estrear no Brasil no fim do ano, já tem
título português: “Super Hero Contra o Monstro
Caranguejo”, bastante condizente com o conteúdo,
claro.
Tratei de fugir da coletiva de imprensa com as estrelas do filme:
o herói Matt Moron, a mocinha Alice Parrot e o vilão,
interpretado pelo iraniano Ronald Abdul Matraq, não por
acaso, a figura mais envolvente do cansativo espetáculo.
Já voltei ao Brasil há duas semanas e até
agora ainda não me recuperei da experiência. Espero
que meu editor esteja satisfeito e me poupe de futuras aventuras
inúteis como esta.
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