| O
depoimento hoje é de Ernestina Debole Siqueira,
de Passo Fundo, RS
Minha
filha Lorena é uma garota bonita e talentosa, que já
ganhou vários concursos de cantora em programas de calouros
no rádio e na televisão. Uma vez ela quase gravou
um cd, com músicas que meu irmão, um belo compositor,
fez para ela. Só não gravou porque o produtor musical
fugiu com o dinheiro que a gente deu pra ele. Um canalha, este
cara.
Como eu fiquei conhecendo muito bem o meio artístico, que
é cheio de pilantras, (mas também tem gente boa),
não desgrudo da minha filha, quando ela vai mostrar sua
bela voz, na televisão e no rádio e naqueles escuros
estúdios de gravação. Com a minha menina,
não, seus gaviões, eu sempre digo.
Numa dessas audições, veio o fotógrafo e
começou a tirar retrato da Lorena, e eu sempre ao lado
dela. As fotos ficaram uma beleza, e uma delas nós enviamos
para uma agência, e não é que mandaram logo
uma resposta! E adivinhem quem eles procuravam? Eu! Isso mesmo,
eu! Já pensaram?
Tratei de ir correndo no endereço que mandaram, era uma
agência de publicidade, e quando cheguei fui dizendo que
houve um engano e que a estrela da família era minha filha.
Mas o homem de terno elegante e uma gravatona toda colorida me
disse que não houve engano nenhum, pois eles queriam mesmo
falar comigo.
Gente, minha vaidade foi lá pro alto. Bem, para encurtar,
eles me acharam bonita e acabaram me fazendo posar para um anúncio
de desodorante feminino, que foi publicado num monte de revistas
de uma rede de drogarias.
Faturei 500 reais com a brincadeira e pensei que ia começar
uma carreira de modelo, ao lado da cantora da minha filha. Mas
já faz mais de dois anos que espero alguém me procurar.
Mas não importa, por alguns momentos, fiquei famosa, ou
quase famosa. |