| Fazia
muitos anos que eu não ia ao cinema, mas a semana passada,
meu velho amigo Aristeu, o famoso “Teteu”, um craque
de bola no nosso tempo, apareceu aqui em casa e disse que estava
passando um ótimo filme no cinema do nosso bairro. Ele
quase teve que me arrastar para eu ir.
Na minha idade, sair de casa fica meio difícil, ainda mais
para o cine Rex, um cinema bem velho, que no meu tempo a gente
chamava de “poeira”, e foi o único na região
que sobreviveu a essas cadeias estrangeiras de cinemas, cheias
de pirilampos aqui e ali, tudo com muito luxo e que cobram uma
fortuna por uma entrada. Com o meu salário de aposentado,
nem pensar, é claro.
Mas o Rex é baratinho, e além do mais o Teteu disse
que pagava. Ele acabou me convencendo. Só faltava saber
que filme era.
Fomos a pé, andar é bom, ainda mais na nossa idade,
e no caminho ele disse que passava “No Tempo das Diligências”,
um filmaço, faroeste dos bons mesmo, que eu vi quando era
menino, lá pelos anos de 1940. E tem o maior de todos os
mocinhos do cinema, o grandalhão John Wayne, que dizem
que já morreu há muito tempo. Uma pena, pois era
o meu favorito.
Claro que valeu a pena sair de casa, nem na televisão a
gente vê coisa tão boa assim.
Na volta, lembrei pro meu amigo uma história que aconteceu
comigo e que me deu um bocado de trabalho com a minha então
namorada, a Belinha. Eu já tinha lá meus 18,19 anos
e fui ver o filme outra vez.E como todo garoto daquela época,
me apaixonei pela atriz que fazia o papel de uma moça de
passado meio duvidoso, uma loura e tanto chamada Claire Trevor.
Escrevi para Hollywood e ela me mandou uma penca de fotos, cada
uma mais bonita que a outra.
Pra quê, minha gente!
Um dia a Belinha achou uma das fotos, que tinha uma dedicatória
em português, como os estúdios espertamente mandavam
algum brasileiro escrever, e dizia: “Para o Acácio,
com todo o meu amor. Claire”.
Minha namorada, que era danada de ciumenta, fez um escândalo
monumental quando viu a foto e nunca mais quis me ver, mesmo eu
explicando que era uma atriz de cinema. Fiquei uns dias amargurado,
mas não demorou muito e conheci a Ernestina, que acabou
virando minha esposa por mais de 47 anos.
Êta filme bom esse “No Tempo das Diligências”!
|