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show que eu e meus amigos palhaços fazemos todas as noites
no Gran Circo Popular, aqui em São Paulo, o que causa mais
sucesso e gargalhadas é a sátira de pessoas famosas.
Outro dia, o circo quase veio abaixo (toc! toc!, isola, meu Deus,
somos todos supersticiosos) com uma gozação que
a gente inventou sobre os políticos deste nosso pobre país.
O cenário é uma sala e um sofá onde um deputado
e um senador conversam, enquanto esperam um poderoso empresário
que chega para discutir com eles um negócio importante.
Claro que os dois estão vestidos de palhaços, pois
circo é circo, e o público gosta disso.
O tal empresário entra no cenário, a gargalhada
é geral, ele está todo coberto de notas de 100 reais,
dos pés à cabeça. Os dois políticos
se levantam e o cumprimentam, e um deles começa a arrancar
uma nota que está na cabeça do visitante. O outro
tira outra nota, e outra, vem o outro, pega outra e mais outra,
e de repente todas as notas sumiram, e o empresário fica
só de cueca. O público solta gargalhadas estrondosas.
Então, o empresário dá o troco. Vai tirando
papéis de uma pasta e os dois políticos vão
assinando. Em cada assinatura, cai uma roupa dos dois, o paletó,
a gravata, a camisa e por fim a calça, e eles ficam só
de cueca, como o visitante. E vem o grande final: uma urna de
votação gigante (de papelão, claro) cai em
cima dos três. E eles saem do picadeiro arrastando a urna,
sob vaias e aplausos do distinto público.
Esse quadro humorístico é um dos cinco que fazem
parte do nosso espetáculo, e é o mais popular de
todos. Pura farsa e sátira à situação
da política brasileira atual. E tristemente verdadeira.
Por isso faz sucesso com a platéia.
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