Papel de rico e de pobre

A coluna Defecon (Defesa do Consumidor) foi criada para proteger você, leitor e consumidor. Ela é coordenada por Hércules Olhovivo, pseudônimo de Atílio Diniz Sé Mendonça, economista, advogado e especialista em pesquisa de preços. Mas a nova seção só funcionará se o leitor nos ajudar, buscando esclarecimentos, denunciando abusos, alterações e omissões nos preços, pesos, embalagens, rótulos e todos os truques usados pela indústria, pelo governo, comércio e entretenimento para enganar o consumidor.

Eis a queixa do leitor Cassiano Gomes Moreira, de Cachoeiro do Itapemirim, ES.

Prezado e valoroso Hércules Olhovivo: se bem me lembro, você  já abordou o assunto numa de suas colunas, mas os abusos estão cada vez maiores, e o público vergonhosamente enganado pelos produtores, pelos distribuidores, pelos supermercados, sei lá por quem mais. No Brasil é assim, nunca tem um culpado, não é mesmo?

Um produto entre os que mais abusam dos preços e do conteúdo é o papel higiênico.Os fabricantes não sabem mais o que fazer para enganar o consumidor. O tamanho padrão, tanto para o de folha simples como para a dupla, é 30 metros de comprimento por 10 centímetros de largura. Mas basta olhar nas prateleiras dos supermercados para se encontrar tapeações de todo tipo.

Como tenho família grande (mulher e oito filhos), estou sempre comprando, e, distraído, sendo enganado. As mais recentes trapaças são os pacotes com oito rolos, em vez de quatro, quatro rolos com 50 metros e agora tem um com 20 metros, mas folhas triplas. Todos, claro, bem mais caros.

Imagine as camadas mais pobres, que compram o de folha simples, que além de muito áspera, fura a todo instante. Desculpe o desabafo grosseiro,Hércules, mas papel higiênico no Brasil é mesmo uma merda, como muitas outras coisas.