Boi com abóbora
e gente mais fina

Sou louca por antiguidades e coisas velhas em geral, mas desde que tenham um mínimo de bom gosto, of course. Nos fins de semana, quando consigo uma rara folga na presidência da minha consultoria de decorações, saio pela cidade em busca de novidades nas feiras de velharias. Na semana passada fui parar numa delas, na desconhecida zona oeste, onde raramente vou. Nenhum preconceito com a região, claro, só que é longe e meu tempo é limitado.

Geente!, vocês nem imaginam a surpresa que tive! Pra começar, comprei dois simplesmente detonantes abajures tiffany, dignos de qualquer feira de Nova York ou Londres. E o melhor, por preços absolutamente ridículos. Ou o dono não tinha idéia do valor deles ou então nunca viu um tiffany na vida. Imaginem, levei os dois por 4.800 reais, a pechincha do ano, sem dúvida! Se eu não tivesse marcado um almoço com a minha querida amiga Dorinha Serzedelo da Silveira (nenhum parentesco comigo), teria circulado por mais uma hora na tal feira, que tinha coisas lindas (e muitas drogas também) a preços que eram verdadeiros roubos contra os donos.

Na saída, parei numa banca para comer um pastel (imaginem, se as amigas me vissem, ia ser gozação o ano inteiro!) e fiquei observando as pessoas que freqüentavam o local. Muitas delas, para usar uma divertida e popular expressão do meu amigo, dono de antiquários, Gaston Santôs, eram “boi-com-abóbora”, isto é, suburbanos assumidos e irremediáveis. Mas havia muitas outras visivelmente finas, de nível alto, sinceramente interessadas nos muitos e belos artigos à venda na feira. Isso me deixou pensando sobre as camadas mais aquinhoadas e as mais populares da sociedade brasileira. Numa feira de antiguidades encontrar, lado a lado, o povão e a nossa gente mais exclusiva é sintoma de que as coisas estão mesmo melhorando em nosso Brasil. Não acham?