Notícias livres e
notícias “oficiais”

As informações que de fato podem interessar os meus leitores raramente chegam até eles. Tudo é filtrado, tudo é americano, tudo vem de Hollywood, como se só eles existissem. Por isso, juntei aqui informações e novidades que merecem ser divulgadas, recolhidas em fontes variadas e respeitáveis.

Começa na semana que vem em Bangladesh um decisivo simpósio para os destinos do cinema do sudeste asiático. Filmes, cineastas,críticos, atores e técnicos de 35 países estarão presentes, debatendo e propondo soluções e também repudiando a implacável mão de ferro hollywoodiana, que domina 97 por cento do mercado de cinema na região.

”Uma infâmia!”, grita o grande cineasta panamenho Guillermo Encías Sanas, que espantou o mundo com seu primeiro filme, “El Chivo Borracho”. Convidado de honra do simpósio, Sanas lançará na ocasião um manifesto contra o cinema americano intitulado exatamente isto: “Uma infâmia!” Estarei presente, claro, e contarei tudo para leitores esclarecidos.

Recebo amável e esclarecedor e-mail de Tirbuson Roz, vice-presidente do Comitê Europeu Oriental de Filmes Alternativos Proibidos, com sede em Bucareste, Romênia. Ele revela que o convite que me faria para conhecer a progressista indústria cinematográfica local foi vetado por interferência do consulado americano.Para quem conhece os métodos desses “cidadãos”, que se dizem democratas, tal ofensa só surpreende os incautos.

Grande notícia para os fãs do cinema finlandês, que são milhares no Brasil. A sempre independente e combativa distribuidora de filmes alternativos Masterfeces acaba de adquirir, para breve lançamento aqui, uma obra-prima aclamada em todo o mundo: “Sateenvarjo Kuiva”. Já vi várias vezes em Paris, uma delas ao lado do grande crítico Jean-Louis Stylo. Choramos e aplaudimos a sessão inteira.

Até quando vamos engoli-los? Eis um rápido levantamento que fiz durante o mês passado. Dos 54 filmes que vi (cinemas, sessões particulares, dvd, vhs), 35 eram europeus, asiáticos e africanos, três eram latino-americanos e 16 feitos em Hollywood (sim, também os vejo, como forma de conhecer melhor o inimigo). Os primeiros eram obras de imaginação, emoção e alta técnica e os segundos, filmes que procuram um caminho de honesta análise social e política. Quanto aos últimos, contei neles 67 assassinatos, 18 estupros, 74 insultos aos países subdesenvolvidos e nada menos que 280 palavrões dos mais grosseiros. Dá o que pensar, não dá?