| Os
fãs me fazem sempre a mesma pergunta: sendo um cara hype,
profundo conhecedor de rock, principalmente o rock avançado,
por que permito o “Ringo” em meu nome? A acusação
é que os Beatles, e principalmente seu horrível
baterista, Ringo Starr, dos tempos dos fósseis do rock,
não merecem emprestar seu nome a um guru da música
jovem, como eu. Meu peito e meu ego explodem com o elogio, mas
vou logo esclarecendo que, felizmente, este meu apelido do meio,
nada tem a ver com “o horrível baterista” em
questão.Sem falar nos outros três do conjunto, que
atrasaram a música jovem, a autêntica, em pelo menos
40 anos.
Vou explicar. Meu pai, grande figurinha, infelizmente já
no grande coral do Além, tinha há lá seus
defeitos, como todos nós. Ele disse adeus relativamente
jovem, nos seus 32 anos. E, coitado, adorava, very sorry!,
um tango, uma valsa, Glenn Miller (eeecccaaa!) e, o pior, os Beatles.
Mas era meu pai, pô.
Mas agora vem a surpresa:o Ringo do meu nome não tem nada
a ver com o tal baterista! Como as figuras do seu tempo, meu velho
adorava um troço que a turma daqueles tempos chamava de
“faroeste espaguete” (não me perguntem o que
é, porque não tenho a menor idéia!), que
ele não perdia um só nos cinemas. Um dos mocinhos
dessas coisas era um tal de Ringo. Como eu gostava de imitar os
mocinhos do faroeste, quando tinha 12 anos, meu pai passou a me
chamar de Ringo. E o apelido pegou. Desculpem, pai é assim
mesmo, mas até que eu gostava dele, apesar disso tudo.
Pensando melhor, não chego a apedrejar o Ringo Starr. Ele
teve seu tempo, que parece séculos atrás. Sorry,
cara que lê minha coluna, mas vamos dar um pouco de respeito
a esses tipos do passado, afinal, eles foram os bisavós
do rock. Ciao.
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