Um acidente que não se esquece

Criador e coordenador desta coluna, Billy Lima é cantor, compositor, escritor, web designer, cineasta, poeta repentista e conhece como poucos os bastidores do show business nacional e internacional. Ele apresenta nesta edição o depoimento do despachante Sérgio Maia Cabral, do Rio de Janeiro.

Desde pequeno sou vidrado na Escola Samba do Pai Jacó, aqui da nossa rua, que é pequena e pobre, mas não faz feio no Carnaval. Eu não desfilo, quem dera, só faço ajudar com o carro alegórico, que de vez em quando dá uma travada na roda da frente e quem não ficar esperto pode cair lá de cima bem no asfalto.O veículo é velho, mas com jeito vai, é só botar um pouco de óleo. Foi isso que aconteceu na semana passada, quando o desfile estava pegando fogo e a nossa escola vinha lá atrás de tudo, pobre mas ganhando umas palminhas da galera. No alto do balcão do carro alegórico, a nossa mascote, Maria Vicentina, a garota mais bonita da escola, se agarrava numa barra de ferro pra não cair. Mas de repente deu um azar danado, porque na hora que agradecia as palmas e não estava segurando, aí o carro deu uma travada feia e ela caiu de quase dois metros. Se não sou eu, que estava bem embaixo, ela podia se ferir feio mesmo. Fui esperto e rápido, e dei uma boa aparada na queda dela e nós dois caímos no asfalto. Não houve nada com a Maria, mas eu dei uma deslocada em cima no braço e só fui sentir dor bem depois, porque a galera começou a bater palma bem forte e vi que era pra mim e fiquei todo feliz. Aí o pessoal da imprensa veio correndo, tinha televisão também e me filmaram ainda caído no chão, mas logo viraram as câmeras pra Maria Vicentina, que, muito esperta, já estava de pé e sambando. Foi legal, e valeu tudo o que a gente passou, e eu soube depois que apareci até na TV.