Mulheres usam músculos
para enfrentar a violência

Por Rosinha Mayfair
do caderno Ataque e Defesa

Cansadas de ser assaltadas, assediadas e insultadas nas ruas, nos parques e até em cinemas, as mulheres resolveram reagir e estão tomando uma decisão radical, matriculando-se em academias que ensinam autodefesa, como boxe, caratê capoeira e outras. A diferença é que essas academias, como vem se tornando cada vez mais comum em São Paulo, no Rio e outras cidades, foram fundadas e são dirigidas exclusivamente por mulheres, todas especialistas nos mais diversos tipos de lutas. E a maioria, também, já foi vítima de assaltos.

Cecília Gerardi, fundadora da Academia Mulheres na Defesa, localizada na zona norte do Rio, é uma bonita loura, 34 anos, 1,77m, cujo corpo é um misto de beleza feminina e de músculos exuberantes como poucos homens podem exibir, mesmo os atletas.

“Meu pai foi esportista a vida toda e na juventude chegou a ser campeão amador de boxe”, conta Cecília. “E sempre ensinou as filhas a se exercitar de todas as maneiras. Então, uma manhã, fui assaltada e agredida em pleno centro do Rio e tomei a decisão de abrir uma academia para ensinar autodefesa às mulheres”.

Com a ajuda de uma prima, campeã amadora de caratê e boxe feminino, e “com um grande apoio monetário do papai”, ela fundou a academia, que nos primeiros dez meses quase fechou as portas por falta de clientes.

Mas hoje a academia já conta com 24 alunas, a maioria jovens, quase todas bonitas, quase todas já passaram por momentos difíceis, vítimas de assaltos, assédio sexual e provocações de todo tipo. A mensalidade não é barata (de 90 a 150 reais por mês), “mas ninguém reclama, pois estão pagando por segurança”, afirma Cecília.

Ela se entusiasma com a facilidade com que suas alunas aprenderam as técnicas mais complicadas de ataque e defesa e diz que em mais algumas semanas elas estarão prontas para enfrentar qualquer ameaça. “Não queria estar na pele de assaltantes e de engraçadinhos de rua. Eles vão se surpreender, e para pior”, garante.

Chega de conversa

Em sua movimentada academia na zona leste de São Paulo, a ex-campeã de boxe feminino Lucila “Knock-out Girl” Gomes, uma das pioneiras no ramo, tem 135 esforçadas alunas, que aprendem caratê, capoeira e vários outros tipos de defesa. Ela conta que passou apertada durante um ano, por falta de clientes, mas nos últimos meses, com a violência urbana aumentando, tudo mudou para melhor, a ponto de planejar abrir mais três filiais até o fim do ano.

Lucila, que como todas as donas de academia, bem como suas alunas, foi vítima de três assaltos, é radical e afirma que, contra violência, só mais violência.” Conversa de sociólogos, terapeutas, leis inúteis e ongs não resolvem muito” ela afirma. “As mulheres continuam sendo agredidas, atacadas, insultadas, assediadas sexualmente ou intimidadas diariamente. Para enfrentar tudo isso, só dando o troco. Por isso estamos nos aperfeiçoando cada vez mais na arte da defesa e do ataque. E a solução está nos punhos delas”, garante.

Ao lado dela, a jovem e bonita Carina Alvim, advogada, 27 anos, que Lucila considera sua melhor e mais feroz aluna, apesar do ar angelical, concorda com tudo, e diz: “Não sou louca de desafiar ninguém, mas, quem aparecer na minha frente com más intenções, vai levar a sua, e com violência”.